Treinamento
simulado como mecanismo de aprendizado na educação e no
treinamento em situações de alto risco em segurança
pública
Ensinar e aprender, apesar de
serem duas atividades muito antigas e de terem sido
fundamentais na história do homem, nunca deixaram de ser
questões problemáticas. Primeiramente é impossível
imaginá-las em separado. Não há teoria de ensino que não
suponha uma teoria de aprendizagem e vice-versa. Assim
sendo, quem ensina, de um modo ou de outro, assim o faz,
porque acredita que existem pessoas interessadas em
aprender e, mesmo o mais educado e treinado aprendiz
sempre continuara com o desejo de aprender mais e mais
pois a aprendizagem nunca se satisfaz por completo. Do
mesmo modo que à vontade de ensinar nunca desaparece de um
instrutor, professor ou mestre.
A questão do ensino/aprendizagem
tem sido uma constante não só entre os educadores da área
didático/pedagógico, mas de todas as áreas do ensino.
Não é difícil localizarmos,
publicado em revistas ou jornais, pesquisas que mostram o
grau de satisfação de alunos com cursos e aulas que
freqüentam, mostrando desta maneira, o quanto às aulas
ficaram aquém de suas expectativas. Algumas pesquisas
salientam que a frustração do aluno pode ser no tipo de
aula que o mesmo recebe, no desempenho e qualificação dos
instrutores professores e mestres, nos recursos materiais
da Instituição, tanto no que se refere a laboratórios,
bibliotecas, etc., quanto ao que lhe permite satisfação
pessoal, ou a sua formação integral, bem como à questão da
produção de novos conhecimentos. E ainda, enfatizam alguns
autores, não podendo nos esquecer que a insatisfação pode
resultar da pequena perspectiva de aumento de
conhecimentos ao final do curso, quer pelos baixos níveis
de motivação ou pela formação inadequada durante toda a
sua vida profissional.
Percebe-se, desde então, que
estamos diante de uma questão complexa e que não existe
uma fórmula pronta para resolvê-la.
Segundo Hilda Santos, apud
MECHELN a aprendizagem é um processo que dura à vida toda
e por meio do qual o aprendiz, motivado frente a uma
situação-problema, resolve-a atingindo sua meta e modifica-se
de forma duradoura. Isto significa que desde o nascimento
o processo de aprendizagem é constante e permanente na
vida de uma pessoa.
Assim, entendemos que a
questão ensino / aprendizagem / motivação / satisfação deve ser
trabalhada constantemente, no sentido de se buscar
metodologias alternativas que estimulem o aluno ao
aprendizado, motive-o para com o curso e leve o futuro
profissional a gostar da profissão exercendo-a de forma
qualificada. Por causa disto, é unânime que a metodologia
de ensino considerada tradicional, aquela em que o
instrutor, professor ou mestre se centra à frente dos
alunos e expõe a matéria tem sido uma das causas do
desinteresse geral dos alunos pelas aulas e o conseqüente
baixo nível de aprendizado, verificado numa grande
variedade de cursos superior avaliados pelo MEC. É fato
que esta metodologia que coloca o aluno como um agente
passivo no processo de aprendizagem é o pior modelo de
transmissão de conhecimentos que tanto o aprendiz como o
instrutor, professor ou mestre podem encontrar dentro do
ensino/aprendizado.
Ter um aluno, ávido por
conhecimentos numa posição passiva e um instrutor,
professor ou mestre com os mais profundos desejos de
ensinar que seu corpo carrega na ativa, no sentido de
transmitir conhecimentos e apontar erros cometidos no
aluno é uma composição que não sinaliza muito bem para
ambos muito menos para a educação como um todo.
Atualmente, os métodos
tradicionais de ensino/aprendizagem são centrados no
instrutor, professor ou mestre e que este se torna o
responsável pela aprendizagem do aluno. Não concordando
com essa situação, acredito que uma correta aprendizagem
seria quando tanto o instrutor, professor ou mestre quanto
o aluno fossem os responsáveis pelo processo ensino/aprendizagem.
Acredito que o instrutor, professor ou mestre deve exercer
o papel de facilitador da aprendizagem, enquanto o aluno
deve ter a liberdade para escolher, expressar-se e agir.
É por isto que aprender
fazendo, aprender da experiência e aprender por tentativas
e erros são as variáveis fundamentais de uma proposta
saudável e que se faz como sendo o cerne deste debate.
Pretendo com isto, que os instrutores, professores e
mestres invertam essa posição até então considerada
tradicional e mais simples, digamos assim. O educador deve
centrar suas aulas no aluno e fazer com que ele (o aluno)
descubra, com a sua ajuda (do educador), as respostas às
suas indagações e curiosidades. É o aluno que deve ser o
agente ativo no processo de aprendizagem. A idéia central
desta postura é de que os alunos devem se comportar como "pensadores-críticos"
e, assim, o processo de aprendizagem se torna mais
dinâmico e verossímil
Todavia, motivar o aluno para
aprender cada vez mais em sua profissão, seja ela qual
for, mostrando ao mesmo tempo a relevância do assunto e
fazer com que ele "tome gosto" pelo que lhe esta sendo
ensinado não é uma tarefa muito simples de se executar, a
menos que o educador esteja disposto a utilizar técnicas e
metodologias de ensino mais dinâmicas do que as aulas
expositivas tradicionais.
Os métodos de estudos de
casos, jogos de guerra, simulações e “live-fire”, ainda
que não sejam tão simples de aplicá-los, são exemplos de
métodos ou técnicas em que os alunos aprendem a aplicar a
teoria e conceitos para diversos problemas. Por estes
métodos, os aprendizes tornam-se ativos no processo de
aprendizagem e são encorajados a aprender de forma mais
descontraída, distanciando-os dos processos de simples
memorização de regras, definições e procedimentos.
O MÉTODO DE
ENSINO PERFEITO
Um método de ensino é uma
maneira pela qual se estabelecem as condições para o
entrosamento entre os atores do processo ensino/aprendizagem.
De outra forma, o objetivo de um método de ensino é o de
servir de suporte ao educador, de modo que se crie uma
condição favorável ao engrandecimento da aula, para melhor
assimilação do assunto em discussão.
Todavia, um método de ensino,
por si só, não garante o sucesso de uma aula, sendo este
apenas um suporte, um recurso ou uma ferramenta à
disposição do educador. A criatividade, a didática, o
domínio do assunto, dentre outros atributos, devem ser
permanentemente cultivados pelo educador, sem os quais,
não há técnica ou metodologia que resolva o problema de
uma aula desinteressante e às vezes até enfadonha.
Extensa é a lista de
denominações de metodologias, métodos, técnicas e práticas
de ensino. Existem diversos enfoques ou diretrizes, no
entanto, que permitem classificar os métodos possíveis de
serem empregados em sala de aula, todos eles baseados em
teorias comprovadas por pesquisas de campo. Cada técnica
utilizada, em função dos procedimentos a serem explorados,
proporciona um estímulo específico ao aluno e exige deste
um correspondente comportamento.
O autor particularmente
classifica os métodos de ensino da seguinte forma:
Método prático, ou "aprender fazendo";
Método conceitual, ou "aprender a teoria";
Método simulado ou "aprender na realidade imitada"; e
Método comportamental, ou "aprender por crescimento
psicológico".
De uma forma bastante
simplificada, considerando o escopo e as limitações deste
trabalho temos:
Pelo método prático o aluno
é levado a aprender pela realização de tarefas nas
mesmas condições que são encontradas na realidade. A
preocupação fundamental do educador, ao adotar tal
método, reside em possibilitar que o ambiente onde se
realize o aprendizado seja idêntico ao que o treinando
irá encontrar quando ele executar tal tarefa em
situações reais. O aluno, por seu lado, deve desempenhar
as atividades da mesma forma como foi instruído em fazê-lo,
pois esta será a maneira correta de sua execução nos
casos reais. Este método é mais adequado para
desenvolver habilidades físicas do aluno, a fim de que
ele possa repetir tal tarefa, em seu exercício
profissional.
No método conceitual a
preocupação do educador reside em transmitir uma
conceituação teórica, obrigando o aluno a "pensar" para
adaptar tal teoria na resolução de problemas correlatos
com a mesma. Os recursos audiovisuais utilizados pelo
educador são os mais variados e destinam-se a facilitar
o entendimento e compreensão do assunto. Com o objetivo
de consolidar os conhecimentos e sua utilização em
aplicações concretas a serem defrontadas pelos alunos, o
educador se utiliza, em sala de aula, de exercícios
teóricos/práticos. A maioria das instituições se utiliza
de forma absoluta deste método.
No método simulado, o
educador cria um ambiente, o mais próximo da realidade,
para que o aluno resolva os problemas propostos. O
método simulado facilita ao educador trabalhar com o
processo de tomadas de decisões que envolvam riscos, sem
comprometer-se com resultados concretos ou reais.
Um método mais complexo e
de difícil avaliação quanto aos resultados alcançados é
o método comportamental, onde o educador orienta o aluno
a assumir determinado papel em uma situação hipotética ,
mas possível de acontecer na vida profissional e avalia
como ele se comporta diante de tal situação. O emprego
deste método é aconselhável nas aulas de ética, por
exemplo.
“A educação e o treinamento
perfeito deve ser a união de todos estes modelos”. Todavia,
as simulações em progressões policiais vêm sendo
utilizadas com freqüência pelos mais diversos centros de
educação e treinamento de todas as forças de segurança no
Brasil e no mundo como sendo a forma que mais pode trazer
à realidade as forças policiais.
Mas afinal o que é
UMA simulação?
Uma simulação permite que se
verifique o funcionamento de um sistema real em um
ambiente preparado, gerando modelos que se comportam como
aquele, considerando a variabilidade do sistema e
demonstrando o que acontecerá na realidade de forma
dinâmica. Isto permite que o aluno tenha uma melhor
visualização e um melhor entendimento do sistema real,
compreendendo as inter-relações existentes no mesmo. É
importante ressaltar que a definição de simulação orienta-se
por diferentes objetivos, que dependem das abordagens de
cada autor. Conforme BAN (1995) diz que: “a simulação
envolve a geração de uma história artificial do sistema e
a observação desta história para obter inferência sobre as
características de operação do sistema real”.
Já LAW (1991) afirma que:
“simulação é uma técnica onde as operações de vários tipos
de processos e recursos do mundo real são imitados ou
simulados. Os processos ou recursos de interesse são
chamados de sistema. A fim de estudar o sistema de modo
científico, deve-se criar um conjunto de suposições sobre
como o mesmo funciona”. Estas suposições, que usualmente
tem a forma de relações lógicas e matemáticas, constitui o
modelo, que é usado para entender como o sistema
correspondente comporta-se.
Outra definição, encontrada
em nosso dicionário da língua portuguesa nos mostra que
simular é: “fingir, representar com semelhança, aparentar,
disfarçar, imitar, dissimular, copiar, ou reproduzir de
forma simplificada, imperfeita, mas guardando semelhanças
com o elemento original”.
O que podemos concluir das
definições anteriores é que a simulação é uma ferramenta
pedagógica capaz de estudar o comportamento e reações de
um determinado sistema por meio de modelos, que imitam na
totalidade ou em parte as propriedades e comportamentos
deste sistema em uma escala menor, permitindo sua
manipulação e estudo detalhado.
Um bom exemplo de simulação é
aquele usado na indústria aeronáutica, onde a aerodinâmica
dos aviões em projeto é testada em túneis de vento por
meio de pequenas maquetes que apresentam o mesmo formato
do avião, ou seja, é o "modelo" do avião real.
Na área militar as simulações
tornam processos, projetos e empreendimentos completamente
viáveis pois, é possível mostrar por meio de técnicas
aplicadas na simulação como deverá ser o resultado real
dos testes em um ambiente não simulado.
Com esse valor tão importante,
a simulação tem conquistado cada vez mais adeptos. Um
exemplo são os investimentos pesados que as forças
norte-americanas têm feito para melhorar a qualidade de
seus soldados em operações em áreas urbanas. Entre estes
investimentos encontra-se o Urban Warrior, desenvolvido
pelo USMC. O Urban Warrior tem por objetivo concentrar
esforços no aperfeiçoamento da tática, das técnicas e dos
meios visando reformular e desenvolver a capacidade do
USMC no combate no interior das cidades por meio de
simulações que possam transmitir o máximo de realidade
para o soldado.
É com essa finalidade que foi
desenvolvido o Fort Polk, um centro de treinamento de U$
34,0 milhões no perfeito estado da arte para operações MOUT.
O Fort Polk é na verdade uma cidade experimental que tem
três tipos de cidade e 40 diferentes tipos de construções
em sete acres de área.
O sítio permite a operação
de um pelotão e até de uma brigada em operações leves ou
de grande intensidade, que pode incluir também operações
aéreas, como assaltos e operações com helicópteros. Todo
este enorme “equipamento” permite que o soldado sinta um
sentimento real do combate por causa de um sofisticado
sistema de sinalização com fumaça e som que torna ainda
mais real a simulação de guerra.
O US Army têm outros sítios similares, embora não tão
completos, em Fort Hood, Texas, e Fort Leavenworth,
Kansas, e na Europa. Por causa dos bons resultados o US
Army está planejando construir até 80 novos sítios de
treinamento para Operações MOUT até 2009.
Atualmente, a cada ano, até
11 brigadas de infantaria leve e unidades da Guarda
Nacional, são treinadas em Fort Polk, em técnicas e
táticas de como limpar construções fortificadas e engajar
forças inimigas protegidas em terreno urbanizado.
Outros países como Israel e
Grã-bretanha também tem desenvolvido estudos avançados
relacionados com as operações militares em ambientes
urbanos, chegando a desenvolver doutrinas, equipamentos e
treinamentos de unidades para este tipo de combate. Tudo
isto desenvolvido com base em simulações e estudos
avançados.
Isso nos permite acreditar
que a simulação ou mais exatamente, no jargão militar,
“live-fire” vão cada vez mais fazer parte da educação do
soldado e das forças de segurança em todo o mundo.
Acreditado desta forma no poder de aprendizado que as
simulações possibilitam para o aluno, o TDA 3, como
Instituição de educação e treinamento que é, não deixaria
de fora de sua pedagogia esse avançado método de ensino.
Desta forma, pretendemos
criar um enorme “simulador de jogos” para ações de
segurança que envolvam soldados, policiais, bombeiros e
setor público e privado nacional e internacional.
Todavia, em primeiro lugar
uma simulação não é um substituto de outros métodos de
ensino, e sim um suporte ao educador e um poderoso
motivador ao grupo de alunos a serem educados. Mas é fato
que as simulações e jogos de guerras, mais especificamente
na área militar, tem enorme valor na educação é sendo
assim, é amplamente reconhecida, considerando o vasto
material bibliográfico da pedagogia e da psicologia.
Rosemin e Verden-Zöfles, apud SERRA enfatizam que o
amor e o jogo constituíram elementos essenciais na
evolução da espécie humana e responsáveis, inclusive, pelo
surgimento da linguagem.
O uso de simulações estimula
os participantes a exercitar as habilidades necessárias ao
seu desenvolvimento intelectual, quando se trabalha com
intuição e raciocínio, características muito exigidas hoje
em dia de um profissional de segurança militar ou civil.
Por isso, acredito que uma
simulação ou um “jogo” avaliado segundo a teoria de
aprendizado experimental, apresenta um grande impacto
neste processo, uma vez que pode ser estruturado de modo
a, principalmente:
se desenrolar dentro de um ambiente de grande estímulo
emocional;
permitir uma resposta imediata das conseqüências das ações
propostas;
ocorrer em um ambiente de total segurança, uma vez que as
conseqüências das ações propostas atingem exclusivamente
um modelo;
permitir uma visão holística do objeto (ação) a que se
prende a simulação, mostrando a interatividade entre os
seus diversos componentes;
explorar uma das características da personalidade humana
de participar e vencer uma competição através da adoção de
atitudes (propostas de ação) destinadas a atingir
resultados melhores do que os obtidos pelos demais
competidores.
Em contrapartida, as
simulações em geral, avaliados sob qualquer das
metodologias de ensino, demandam um tempo maior do que
outras técnicas de suporte ao processo ensino/aprendizagem
e requerem um vasto material didático para este fim.
É por isto que na hora de
escolher uma educação ou um treinamento que envolva
“live-fire” devem ser observados antes de qualquer coisa
no curso o projeto pedagógico, os instrutores, professores
e mestres envolvidos assim como a estrutura educacional
que será utilizada na formação do curso.