BMR - Bomba de Material Radioativo ou Simplesmente
Bomba Suja
Quando falamos
em bomba imaginamos logo uma explosão, fogo e coisas
destruídas. Bomba na definição do DATE (Dicionário de
Abreviaturas e Termos Especiais) quer dizer: qualquer
engenho explosivo ou incendiário capaz de explodir ou
incendiar-se mediante ao recebimento de um estímulo
externo apropriado.
Consistem de
vários elementos combinados numa cadeia de disparo
completa com iniciador (espoleta ou pavio), carga
explosiva principal (no caso, alto ou baixo explosivo) e
um interruptor, que no caso de bombas terroristas
normalmente é encoberto por um disfarce.
Atualmente o que
tem preocupado os especialistas nucleares é há possível
utilização de um explosivo convencional que contenha na
sua composição material radioativo. Este explosivo
convencional mesclado com material radioativo não é eficaz
o suficiente como meio para matar imediatamente em grande
escala como uma bomba atômica, mas teria um efeito
psicossocial devastador.
Mas como é
possível acrescentar este novo componente em uma bomba e
de onde ele poderia vir? No mundo hoje em dia o material
radioativo é produzido quando acontece o processo de
fissão nuclear, dizemos que o urânio sofreu uma queima. A
queima do urânio nos reatores nucleares dá origem ao
plutônio, material extremamente tóxico e perigoso (uma
única partícula, se aspirada, pode causar câncer do pulmão),
utilizado na fabricação de armas nucleares. Um reator
comum com capacidade de produção de 500.000 KW produz
cerca de 120 kg de plutônio anualmente (10 kg são
suficientes para fabricar uma bomba atômica). O plutônio é
um elemento químico pesado, isolado em 1941. Há dois
bilhões de anos foi formado pela ação de reatores
nucleares naturais (condições naturais de concentração de
urânio, pressão e temperatura) sobre uma mina de urânio na
África ocidental, em Oklo.
Foram
encontrados traços dispersos na natureza de plutônio a
partir das décadas de 50 e 60 devido a testes com
armamentos nucleares e sua precipitação. Os principais
isótopos do plutônio são: Pu-238, (meia-vida de 88 anos),
Pu-239, físsil (meia-vida de 24.000 anos), Pu-240, fértil
(meia-vida de 6.500 anos), Pu-241, físsil (meia-vida de 14
anos), Pu-242, (meia-vida de 37.600 anos).
Quando produzem
eletricidade, as usinas nucleares geram plutônio. O
plutônio fica contido no combustível nuclear irradiado
(INF, de irradiated nuclear fuel) que resulta da operação
de um reator nuclear. Um reator de grande porte produz
cerca de 230 kg de plutônio por ano.
Em alguns países,
o INF é obtido em "usinas de reprocessamento", nas quais
plutônio e urânio são separados de outro rejeito nuclear
contido no combustível. Ainda que o plutônio seja usado
basicamente na construção de armas nucleares, houve várias
tentativas de usá-lo como combustível em reatores
nucleares.
Em 1995,
produziu-se no mundo 160.000 kg de plutônio. Isso
transforma o plutônio em um grave problema para a
humanidade e nos faz perguntar o que fazer com esse
perigoso material, que é cobiçado por grupos terroristas e
por alguns governos inescrupulosos que querem construir
bombas atômicas. Além do plutônio, existem outras formas
de poluição das usinas nucleares: o aquecimento do meio
ambiente ao redor e em especial o lixo atômico, também
desejado por terrorista para a fabricação de BMR (Bomba de
Material Radioativo).
Só para explicar,
já que o objetivo deste documento não é entrar nos
detalhes operacionais da tecnologia nuclear, o aquecimento
do meio ambiente ao redor de uma usina atômica ocorre
porque ela se localiza em geral numa área litorânea ou
vizinha a um rio ou lago, para ter abastecimento farto de
água, e essa água utilizada na usina (para produzir vapor
e para esfriar certos equipamentos) é depois devolvida
para o lago ou mar, causando aquecimento e com isso grande
mortandade entre peixes do local.
Já o lixo
atômico, que são os resíduos produzidos pelas usinas
nucleares, definem-se como sendo materiais radioativos e,
portanto perigosíssimos, livrar-se deles constitui um
enorme problema visto que existe a preocupação de se
evitar contaminação ambiental e, mais recente ainda é a
alarmante preocupação no tocante a segurança deste
material, pois existe um grande interesse nestes restos
radioativos porque servem como matéria-prima na produção
de uma BMR.
O lixo
radioativo é produzido em todos os estágios do ciclo do
combustível nuclear desde a mineração do urânio até o
reprocessamento de combustível nuclear irradiado.
Grande parte
desse lixo permanecerá radioativo por milhares de anos,
deixando uma herança mortal para as futuras gerações.
Portanto, o grande desafio é como mantê-lo em condições
seguras e invioláveis por tanto tempo.
Durante o
funcionamento de um reator nuclear são criados isótopos
radioativos extremamente perigosos como césio, estrôncio,
iodo, criptônio e plutônio. O plutônio é particularmente
perigoso, já que pode ser usado em armas nucleares se for
separado do combustível nuclear irradiado por meio de um
tratamento químico chamado reprocessamento.
Como parte da
operação de rotina de toda usina nuclear alguns materiais
residuais são despejados diretamente no meio ambiente. O
resíduo líquido é descarregado junto com a "água de
resfriamento da turbina" no mar ou em rio próximo à usina
e os resíduos gasosos vão para a atmosfera.
Em ambos os
casos, a vazão destes efluentes é controlada para que não
altere a radioatividade natural (background) do meio
ambiente.
Há três
categorias de lixo radioativo: resíduo de alto nível (bHLW,
de high level waste); rejeito de nível intermediário (ILW,
intermediate level waste); e rejeito de baixo nível (LLW,
de low level waste).
O HLW consiste
principalmente de combustível irradiado proveniente dos
núcleos de reatores nucleares e de rejeitos líquidos de
alta atividade produzidos durante o reprocessamento. A
remoção de plutônio pelo reprocessamento resulta num
imenso volume de rejeito líquido radioativo. Parte desse
mortal rejeito de reprocessamento, armazenado em grandes
tanques, é misturado com material vitrificante quente.
Os blocos de
vidro resultantes também são classificados como HLW. Ainda
que o processo de vitrificação possa tornar mais fácil o
transporte e o armazenamento, de forma alguma diminui o
terrível risco para as pessoas e o ambiente durante os
próximos anos. De maneira geral, o HLW é mil vezes mais
radioativo que o ILW.
O ILW consiste
principalmente de "latas" metálicas de combustível que
originalmente continham urânio combustível para usinas
nucleares, peças de metal do reator e rejeitos químicos.
Têm de ser blindadas para proteger operários e outras
pessoas contra a exposição durante o transporte e a
destinação final. O ILW, de maneira geral, é mil vezes
mais radioativo que o LLW.
O LLW pode ser
definido como o rejeito que não requer blindagem durante o
manuseio normal e o transporte. O LLW consiste
principalmente de itens como roupas de proteção e
equipamentos de laboratório que possam ter entrado em
contato com material radioativo.
O combustível
nuclear altamente radioativo é retirado do reator e
armazenado em piscinas de resfriamento no interior da
própria usina. De acordo com estimativas da Agência
Internacional de Energia Atômica (AIEA), a quantidade
total de combustível usado era de 125.000 t em 1992 e
200.000 t no ano 2000. Para meados do próximo século essa
quantidade deve chegar perto das 450.000 toneladas.
Contudo, embora
diversos métodos de destinação tenham sido discutidos
durante décadas incluindo o envio para o espaço, ainda não
há solução para o lixo radioativo. A maioria das "soluções"
atualmente propostas para a disposição final do lixo
radioativo envolve seu enterro no subsolo numa embalagem
especial com proteção forte o bastante para impedir que
sua radioatividade escape.
Mesmo assim não
bastam apenas as perfurações de teste ou levantamentos
geológicos para o manejo do lixo radioativo. Os testes
adequados demandariam dezenas de milhares de anos.
Eu
particularmente considero três riscos principais no
enterro de lixo radioativo: a contaminação do ar, da água
e a retirada indevida para atividades terroristas.
Contaminação
do ar
As liberações
explosivas ou lentas de gases de um sítio de destinação
final subterrâneo são possíveis teoricamente.
Infelizmente,
não há forma confiável de estimar esse risco - há
incógnitas demais relativas aos atuais métodos de
deposição e às interações químicas possíveis num ambiente
real.
Contaminação
da água
Geralmente este
é considerado o mecanismo de poluição mais provável ligado
à disposição final de rejeitos em rochas. Elementos
radioativos podem vazar do invólucro e entrar em contato
com o lençol freático, contaminando a água potável de
comunidades locais e distantes.
Retirada
indevida para atividades terroristas
Grupos
terroristas podem querer adquirir quantidades de lixo
radioativo que estão no enterro para serem utilizados em
ações terroristas.
Além do enterro
dos rejeitos, vários esquemas de armazenamento no local de
uso estão sendo investigados com o intuito de melhorar a
segurança e a qualidade de vida. Um deles é o uso de
grandes recipientes de aço ou concreto.
Ainda que esse
tipo de armazenamento conserve o material no ponto em que
foi criado e reduza os custos de transporte, centenas de
comunidades de todo o mundo estão ameaçadas de fato por
depósitos de alto nível radioativo às suas portas. Também
há planos para consolidar o combustível usado e colocá-lo
em contêineres em algumas poucas instalações regionais de
superfícies, o que resulta num número imenso de viagens em
recipientes não destinados a resistir a possíveis
acidentes e o que é pior, mais vulneráveis a um “seqüestro
radioativo”.
Outra forma
criadora de grandes quantidades de lixo radioativo ocorre
quando um reator nuclear é desativado. Isso porque muitas
das peças que o compõem, incluindo o combustível, tornam-se
radioativas. O processo de tratamento de uma usina nuclear
nesse ponto é chamado descomissionamento.
Entretanto, além
da remoção do combustível usado, não há consenso sobre o
que deve acontecer a seguir.
Nenhum reator de
dimensões normais foi desmontado em lugar algum do mundo.
Ainda que alguns países planejem retirar toda a estrutura,
até mesmo as partes radioativas, restando um espaço plano
desocupado; outros sugerem deixar a edificação onde está,
cobrindo-a com concreto ou, possivelmente, enterrando-a
sob um monte de terra.
O custo do
descomissionamento dos reatores nucleares é objeto de
muita especulação. As estimativas de custo originam-se de
estudos genéricos, a partir da projeção dos custos de
descomissionamento de pequenas instalações de pesquisa. O
detalhamento e a sofisticação empregados no
desenvolvimento dessas estimativas varia demais; a falta
de padronização torna difíceis as comparações.
Além disso, a
limitada experiência de descomissionamento, nenhuma, se
considerados reatores de grande porte, torna impossível
saber se as estimativas são razoáveis, mas já se sugeriu
que os custos de descomissionamento poderiam ser de até
100% do custo de construção inicial.
Quarenta anos
depois de a primeira usina nuclear começar a produzir
eletricidade, a indústria nuclear ainda não tem respostas
sobre como desmantelar, de forma segura e economicamente
eficiente, um reator. Nas próximas três décadas, mais de
350 reatores nucleares serão desativados em todo o mundo.
Temos neste momento um enorme problema já que não sabemos
o que fazer com toda essa estrutura nuclear e ainda mais
existindo a vontade terrorista de adquirir esse lixo
radioativo. Se de um lado temos um grupo altamente
motivado e do outro um totalmente limitado, o primeiro tem
uma grande vantagem estratégica sobre o segundo.
Todavia, o
costume é colocar todo o lixo atômico em caixas de
concreto hermeticamente fechadas, que são enterradas ou
jogadas ao mar. O problema é que hoje em dia nenhuma
região quer sediar depósitos subterrâneos de lixo atômico,
que podem contaminar essa área e até serem desenterrados
numa falha de vigilância como já foi mencionado
anteriormente. E nos mares existe o problema da corrosão
dessas caixas com o tempo, que um dia poderão se abrir e
assim provocar grande contaminação das águas.
Mas o mar sempre
foi considerado o primeiro lixão radioativo para rejeitos
nucleares. A Itália já lançou 50 toneladas no mar
Mediterrâneo. Outros seis países europeus lançaram 120.000
toneladas no Atlântico. Os EUA já lançaram 370 m³ de
resíduos no oceano Pacífico. Pouco, se comparado à
capacidade de uma piscina olímpica que tem 1.890 m³.
Essa agressão só
acabou em 1986 quando um acordo internacional estabeleceu
que só poderia se despejar resíduos radioativos caso
ficasse provado que o lixo lançado no mar é diluído pela
água.
A via marítima é
o meio de transporte para várias toneladas de material
radioativo entre nações. Com certa freqüência, material
irradiado é transportado da França para o Japão, a fim de
ser utilizado em seus reatores. O risco neste transporte,
que dura aproximadamente dois meses, são o afundamento da
embarcação e a apropriação ilícita do navio num ataque
estilo pirata.
O caso do navio
Pacific Swan que partiu de Cherbourg em 19/12/2000 na
França em direção ao porto de Mutso Ogawara, no Japão com
196 blocos de lixo nuclear de 96 milhões de Curies, valor
mais de 40 vezes maior que a radiação liberada no acidente
de Chernobyl é um exemplo claro do descaso que é dado com
o transporte e manuseio de material radioativo. Uma pessoa
que ficasse menos de um minuto a um metro de distância de
um desses blocos, sem proteção, receberia uma dose letal
de radiação. Este transporte, realizado sem a necessária
informação à sociedade e aos governos e sem plano de
emergência é mais um capítulo do programa japonês de
produção de energia a partir do plutônio.
Este é o sexto
transporte de lixo nuclear já realizado, mas, pela
primeira vez, se transportou uma carga com esta ordem de
grandeza. O primeiro transporte de lixo nuclear foi feito
pelo navio britânico Pacific Pintail em fevereiro/março de
1995, apesar de intensos protestos internacionais. Cerca
de 40 países emitiram notas formais de oposição ao risco
representado pela carga.
O navio bordejou
a costa brasileira e contornou o Cabo Horn, no extremo sul
da América Latina. Na ocasião, o governo brasileiro emitiu
duas notas formais de protesto, seguido pela Argentina,
Uruguai e Chile.
O Brasil ainda
enviou um avião da FAB e um navio patrulha, o Grajaú, para
monitorar a passagem do Pacific Pintail. No Chile, a Força
Aérea ameaçou recorrer às armas caso o Pintail não
abandonasse as águas do país.
A carga seguinte
contornou a África e as três outras atravessaram o Canal
do Panamá, a rota mais curta e barata. Agora, com a
passagem do controle do Canal para o governo panamenho e a
intensa oposição dos países caribenhos quanto a colocarem
em risco sua segurança, volta-se a usar a rota pela
América do Sul o que coloca o Brasil numa posição de
decidir como enfrentar o problema do transporte de
material radioativo na costa brasileira.
Todo esse
carregamento é conseqüência do programa japonês de uso de
reatores regeneradores rápidos (Fast Breeders), que usam o
plutônio como combustível para a produção de energia. Para
obter o plutônio, o Japão envia o combustível nuclear
gasto em suas usinas nucleares convencionais para
reprocessamento na França e Inglaterra.
Na França, a
operação é feita pela Cogema, em sua usina de La Hague. Na
Inglaterra, o reprocessamento é feito pela British Nuclear
Fuel Limited (BNFL), na usina de Sellafield/Thorp. Nestas
usinas, o combustível usado é reprocessado para a extração
do plutônio e do urânio presentes. Todas as substâncias
químicas e equipamentos usados no reprocessamento são
contaminados pela radiação presente no combustível.
Ao final, o
volume de lixo é aumentado 189 vezes. Tanto o plutônio
quanto o lixo serão enviados ao Japão. Estima-se que 1,28
milhões kg deste lixo deverão ser transportados para o
Japão na próxima década, representando inúmeros
transportes como o do Pacific Swan.
Em 15/01/2001
dois navios, Pacific Pintail e Pacific Teal, se dirigiram
para Cherbourg para serem carregados com 28 contêineres de
MOX e seguiram para o Japão (19/01) com a carga de 230 kg
de Pu e 4 toneladas de U. O Pacific Teal foi o
navio-escolta. Ambos pertencem a British Nuclear Fuels
Limited.
A BNFL e a
Cogema convidaram jornalistas para visitarem
Barrow-in-Furness e La Hague, a fim de reverter à opinião
a respeito de suas operações.
Apesar do risco
ao meio ambiente e à saúde pública representado por esses
transportes, medidas de segurança têm sido relegadas a
segundo plano por razões de economia e por falta de
transparência. Problemas como desenho, teste e construção
inadequada dos containers, falta de um específico plano de
emergência em caso de acidentes e até falta de seguro de
acidentes indicam que a prioridade dos governos envolvidos
é com o lucro, e não com a segurança.
Desta forma fica
fácil um ataque no estilo pirata a um navio com este tipo
de carga. O custo de uma abordagem terrorista a um navio
deste em sua rota pelo mar é pequena comparada com as
possibilidades catastróficas da utilização de tal carga.
Toda nave transforma-se em um vetor de ataque nuclear que
pode ser dirigido a qualquer costa de qualquer país no
mundo ou simplesmente continuar no seu curso sem chamar a
atenção de autoridades e chegando em seu destino final os
terroristas efetuarem uma grande explosão espalhando
material radioativo. Mas não só navios transportando
cargas radioativas são um risco para a segurança
internacional.
Embarcações que
transportam gás liquefeito de petróleo (GLP) e contêineres,
que podem abrigar bombas químicas e biológicas, podem
maximizar terrivelmente uma ação terrorista. Segundo
fontes oficiais, só dois por cento dos contêineres que
chegam aos EUA são inspecionados.
Hoje em dia se
supõe que a radioatividade do lixo de plutônio pode ser
contida por três barreiras: a vitrificação a que o lixo
foi submetido, os barris metálicos e os containers onde
estes estão inseridos.
Apesar desse
sistema de segurança funcionar sob condições normais,
considerações de ordem econômica e de segurança provocaram
um rebaixamento da margem de segurança a um ponto em que
um sério acidente pode ocorrer, produzindo liberação de
material radioativo para o ambiente.
A respeito dos
navios usados no transporte a indústria nuclear afirma que
o casco duplo dos navios usados para transportes nucleares
seria uma proteção suficiente em caso de colisão, mas
evidências científicas mostram que as normas recomendadas
pela Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) não
são suficientes para prevenir os efeitos de colisões,
incêndios e naufrágios.
A própria AIEA,
por exemplo, recomenda que os conteiners sejam capazes de
suportar temperaturas de 800 °C por 30 minutos. Mas
acidentes marítimos provocam incêndios com duração média
de 20 a 23 horas, com temperaturas que excedem 1.100 °C.
Inadequações similares existem no que se refere a testes
de impacto e imersão.
É claro que tudo
feito pela AIEA é de extrema importância para assegurar o
perfeito manuseio do material radioativo, todavia nos dias
de hoje, onde o mundo esta cada vez mais perigoso, e com
países se expondo cada vez mais como os Estados Unidos,
Inglaterra e França é de importância máxima que o
transporte de produtos químicos sejam feito mediante a um
rigoroso plano de segurança internacional.
Por isso que
neste instante surge a delicada questão da utilização ou
não de meios militares no combate direto contra o
terrorismo. É claro que o correto seria evitar este tipo
de transporte pelo mar do que mobilizar Agências,
Departamentos e Ministérios de vários países para
controlarem um navio pelo mar até seu destino final. Mas
não podemos fechar os olhos e pensarmos que nada está
acontecendo.
O
Almirante-de-Esquadra (REF) Mario César Flores no simpósio
“Análise e Conseqüências do Ato Terrorista Ocorrido nos
EUA, em 11 de setembro de 2001” realizado na Escola de
Guerra Naval afirma que: “as Forças Armadas pouco podem
fazer para a contenção da prática cotidiana do terrorismo”.
Concordo que as
Forças Armadas não vão e nem devem fazer o serviço de
polícia, mas devem dar suporte para o bom funcionamento da
segurança pública e defesa da pátria. Não vou discutir
aqui o porque do motivo da utilização das Forças Armadas e
não das forças policiais. Todos sabem a dificuldade que
existe no setor de segurança pública do Brasil.
O artigo 142, in
fine da Constituição Federal estabelece que, “as Forças
Armadas destinam-se à defesa da Pátria, à garantia dos
poderes constitucionais, e por iniciativa de qualquer
destes, da lei e da ordem”.
Novamente o
Almirante-de-Esquadra (REF) Mario César Flores afirma que:
“O que se pode pretender das Forças Armadas em tornos de
rotina corrente é a contribuição de seus serviços de
inteligência e maiores cuidados no tocante a certas
atribuições legais já suas, em especial as exercidas por
órgãos e unidades que têm a ver com o controle do espaço
aéreo, águas costeiras críticas, plataformas de petróleo,
áreas portuárias, fronteira dificilmente controláveis pelo
sistema policial”.
É claro e
perfeito a colocação acima: “dificilmente controláveis
pelo sistema policial”. Ninguém ainda disse que é fácil a
monitoração e prevenção do terrorismo pelo contrário é um
dos maiores desafios que uma força policial de qualquer
nação tem enfrentado neste século. Por isso, não é justo
que o Brasil assim como qualquer outra nação não use de
seus poderes assim como tem feito os EUA na proteção de
seu povo e território.
A sociedade
civil deve estar ciente da possível utilização das Forcas
Armadas na defesa nacional e o Ministério da Defesa
Brasileiro precisa criar mecanismos doutrinários para que
os militares entendam que são neste início de século XXI
mais importantes do que nunca para o Brasil no leito civil
do que dentro de sua própria estrutura militar. A defesa
da pátria começa de dentro para fora e não de fora para
dentro.
É claro que esta
é uma discussão longa, mas devido ao quadro estratégico
atual não temos muito tempo para teorias e delongas. Quero
deixar bem claro que devemos aprender a usar nosso direito,
ou seja, precisamos utilizar o que é nosso (Art. 142) ou
veremos novamente episódios onde a desordem e a
transgressão superam a lei contemporânea.
A própria AIEA
reconhece que considerações econômicas limitam as
condições de segurança. Seria relativamente simples
especificar testes de perfomance para embalagens que nunca
falhariam em situações de acidente. Esses testes
reduziriam a zero os riscos públicos nos transportes de
material radioativo, mas representariam um ônus tremendo
para a economia.
Mas para a AIEA,
que tem como uma de suas funções a promoção da indústria
nuclear, lucros são mais importantes do que segurança.
Proteger a segurança econômica da indústria nuclear tem
precedência sobre proteger a população e o ambiente. A
falta de informações é um sério problema do setor. Não há
notificação adequada ao público, não se fala em planos de
emergência para o caso de acidentes nem dos reais riscos
inerentes a esses transportes. E, apesar de acidentes
nucleares acarretarem prejuízos econômicos da ordem de
bilhões de dólares, esses transportes não são cobertos por
seguro. Ao mesmo tempo, as responsabilidades são diluídas,
tornando difícil responsabilizar um governo ou empresa
privada em particular pelos danos causados por um acidente.
Um outro
problema de extrema importância é o aumento dos estoques
de
plutônio. Além de altamente radiotóxico, o plutônio é
extremamente problemático para o estabelecimento de uma
política internacional de controle do armamento nuclear.
Seis quilos desse elemento são suficientes para a
construção de uma bomba nuclear.
Além dos
estoques acumulados no Japão serem vistos com desconfiança
pelos vizinhos, existe também o problema do desvio ou
roubo do material. Bastaria que uma pequena quantidade
desse material caísse em mãos terroristas para que a
segurança internacional fosse seriamente ameaçada.
Devido a tantas
ameaças a indústria esta em declínio. Durante as décadas
de 60 e 70, uma das grandes preocupações das indústrias
nucleares de diversos países era o preço e a quantidade de
urânio disponível para ser usado como combustível nuclear.
Dessa
preocupação nasceu o projeto de reprocessar o plutônio,
produzido pelos reatores nucleares, para empregá-lo como
combustível de uma nova geração de reatores, chamados "de
regeneração rápida" ou "reprodução rápida" (FBR, fast
breed reactors).
Acreditava-se
que esses reatores, além de produzir energia, também
gerariam mais plutônio do que o usado originalmente como
combustível.
Essa nova
tecnologia foi um fracasso. Apesar dos grandiosos planos
dos primeiros programas de FBR (a França previa ter seis
reatores fast-breeders operando em 1985; a antiga União
Soviética anunciava 12), nenhum FBR funcionou bem no
Ocidente. Apenas Rússia e Japão prosseguiram com seus
programas de desenvolvimento desse tipo de reatores.
O caro fracasso
do programa FBR obliterou qualquer justificativa para o
custo exorbitante e para a poluição produzida pelo
reprocessamento do combustível nuclear irradiado. A
indústria nuclear precisou, então, encontrar outra
justificativa para o gasto de centenas de milhões de
dólares, libras, marcos alemães, francos e ienes na
recuperação do plutônio. Precisou buscar outra utilidade
para o plutônio. Solução proposta pelas indústrias
nucleares da Europa e do Japão: que o plutônio fosse usado
nos reatores nucleares convencionais - reatores que não
foram projetados para isso.
O combustível
para reator nuclear contendo urânio e plutônio é conhecido
como "combustível óxido misto" (MOX, de mixed oxide), ou "combustível
de plutônio". O uso de combustível a base de plutônio num
reator convencional requer novas soluções de engenharia,
que afetam tudo, desde as operações-padrão de
funcionamento até os procedimentos necessários para
desligamento em situações de emergência.
De acordo com
representantes da indústria, o núcleo de plutônio, criado
pelo uso do "combustível de plutônio" caracteriza-se "por
uma resposta potencialmente mais adversa a eventos
acidentais".
Isso significa
que os acidentes podem se agravar rapidamente e chegar a
níveis críticos, como a fusão do núcleo ou até mesmo
explosões. Os programas dos FBRs e de "combustível de
plutônio" nasceram da preocupação de que as reservas de
urânio iriam minguar e que os preços disparariam. O que
ocorre hoje é o contrário: o mercado de urânio se
caracteriza pelos preços baixos, enquanto os programas de
reprocessamento, FBR e "combustível de plutônio" atinge
custos extraordinariamente altos.
A produção de "combustível
de plutônio" é claramente injustificada, tanto em bases
técnicas, quanto em termos econômicos, de saúde e de
segurança. O reprocessamento gera um volume de rejeito até
189 vezes maior que o contido no combustível irradiado
original.
O plutônio foi
usado, inicialmente, para a fabricação de armas nucleares.
Os primeiros reatores nucleares foram especificamente
construídos para a produção de plutônio para as bombas
americanas, soviéticas e britânicas. Só depois foram
adaptados para a geração de eletricidade. O tipo RBMK
usado na ex-União Soviética visava a produção de plutônio
e em segundo plano, a geração elétrica. Esta substância é
uma das mais radiotóxicas e perigosas: um único micrograma
pode causar câncer fatal se inalado ou ingerido. Uma
esfera de plutônio menor do que uma bola de tênis poderia
ser usada como combustível de uma bomba nuclear capaz de
matar milhões de pessoas. A disseminação da tecnologia
nuclear pelo planeta foi acompanhada pela proliferação de
armas nucleares. Hoje, elas podem ser construídas usando-se
o plutônio de fontes civis ou militares.
Em última
análise, a única maneira de deter a produção de armas
nucleares e sua proliferação é através de um acordo
internacional que proíba a produção e o uso do plutônio e
outros materiais físseis.
O Brasil submete-se
por força de acordos internacionais que possibilitaram seu
acesso à tecnologia nuclear para geração de energia
elétrica às salvaguardas da AIEA. As usinas nucleares
brasileiras não podem usar o combustível irradiado para
reprocessamento com o fim de extrair plutônio. Os
elementos combustíveis usados devem permanecer em suas
piscinas no interior das usinas e são mantidos sob
vigilância de câmeras, cujas gravações são remetidas para
aquela Agência Internacional.
Setor Nuclear
Militar
No setor militar
também o problema é sério. A Marinha norte-americana já
desativou mais de 70 submarinos nucleares, removendo
destas embarcações os compartimentos onde se encontravam
os reatores nucleares e que são mantidos num local no
Estado de Washington.
O Reino Unido
mantêm 11 compartimentos em 2 portos. Quando um submarino
nuclear é desativado, o combustível é levado para o
complexo nuclear de Sellafield, pois são de alta atividade.
Despejos da usina de reprocessamento de Sellafield
transformaram o Mar da Irlanda na área marinha mais
contaminada por radiação em todo o mundo. No dia
11/05/2000 a Grã-Bretanha anunciou novas propostas para
estocagem segura em terra de submarinos nucleares
descomissionados.
Atualmente,
essas embarcações são mantidas flutuando em Devonport,
Inglaterra ou Rosyth, na Escócia. A capacidade de
estocagem da Grã Bretanha deve-se esgotar em 2012 nestes
portos. Nos próximos 3 anos o Reino Unido aceitará
propostas privadas para o melhor método de
acondicionamento e locais potencialmente apropriados para
uma solução de estocagem definitiva.
Depois do fim da
URSS, a Rússia e as 14 repúblicas que a formavam, tiveram
que dividir o legado do programa nuclear soviético
composto de ogivas nucleares, submarinos, lagos
radioativos e áreas contaminadas que ainda não se sabe
exatamente onde estão. O espólio não tem precedentes e a
administração parece só levar em conta o fator inóspito
dos locais para descarregar seus rejeitos.
Um quinto de
todos os reatores e combustível nuclear está concentrado
no norte da Rússia, área em que está baseada a Frota Norte
da Marinha russa, onde até os quebra-gelos são movidos a
energia nuclear.
No meio da
sucata flutuante, 52 ainda tem combustível nuclear e 17
reatores foram abandonados no Mar de Kara. Manter um único
submarino desativado custa 4.500 rublos por ano. Basta que
um deles vaze para que ocorra uma tragédia muito pior que
Chernobyl.
Os depósitos
provisórios estão cheios e seriam necessários 150 trens
para remover todo o material. Na Rússia só há um trem para
este serviço com 4 a 6 vagões.
O tratado START
2 para desmontagem de armamento nuclear aumentará ainda
mais a quantidade de rejeitos e para que seja efetivamente
cumprido custará 20.000 bilhões de rublos. A Frota Norte
tem 40 submarinos em serviço com dois reatores em cada
embarcação. Há ainda 110 submarinos fora de combate,
somando 135 reatores com combustível usado em 72
submarinos. O combustível foi mantido em alguns submarinos
porque os depósitos se encontram abarrotados e há
problemas econômicos e técnicos para reprocessamento em
Mayak, no sul dos Montes Urais. Os submarinos ficam
localizados em diferentes bases navais da Península de
Kola e em Severodvinsk, próximo a Arkangelsk. Segundo um
relatório, 30 destes submarinos apresentam risco de
afundamento.
Além dos
submarinos abandonados, lixo e combustível usado são
mantidos em bases navais na Baía de Andreyev, que contem
combustível usado de aproximadamente 90 reatores navais.
Nos últimos 10 anos perderam-se 1.000 embarcações e se não
houver investimentos a Rússia terá apenas 60 naves em
2016. O número de submarinos baixou na mesma proporção, de
62 em 1990, para 18 no ano 2000.
O Estado não tem
dinheiro para remover os equipamentos e nem reprocessar o
combustível. Parte do combustível usado destas embarcações
é mantido no navio Lepse, que guarda 642 varetas de
combustível.
Um acidente pode
afetar países como a Noruega, Finlândia e a própria Rússia.
O Fator
Acidente
Um grande
problema suscitado pelas usinas nucleares, além do lixo
atômico, é a questão dos acidentes. Nos últimos quarenta
anos, já ocorreram centenas de acidentes em usinas
nucleares, tendo como conseqüência o escape de radiação
para a atmosfera e a contaminação de regiões geográficas.
O pior acidente,
Chernobyl, com 200 toneladas de material radioativo pode
se converter num segundo acidente se não forem tomadas
medidas para armazenar o conteúdo da unidade 4 que
explodiu em 1986.
Chernobyl não
foi o primeiro acidente. Uma usina secreta para fabricação
de bombas nucleares em Chelyabinsk nos Montes Urais foi o
início da série. Segundo alguns relatórios o lixo
radioativo equivalente a 20 Chernobyls foi bombeado da
unidade de Mayak para um lago, que até hoje emite doses
letais em apenas uma hora. Mayak também foi o cenário de
uma explosão num tanque de rejeitos em 1957, quando 70 a
80 toneladas explodiram.
Uma explosão
similar aconteceu em Tomsk, na Sibéria, em abril de 1993.
A maior usina de reprocessamento fica em Krasnoyark, a 600
km a oeste de Tomsk. Várias toneladas de urânio e plutônio
se espalharam pelos campos.
Tomsk ficou
conhecido como o pior acidente “Pós-Chernobyl”, somente
superado pelo acidente em Tokaimura, no Japão. As duas
usinas contaminaram os dois maiores rios da Sibéria, o Ob
e o Yenissei, que correm para o Mar de Kara ao norte.
Os pontos
contaminados ainda não foram totalmente mapeados, sendo
que ainda se encontram áreas em lugares inesperados; um
deles foi achado em 1997 em Tbilissi, na Geórgia, depois
de soldados ficarem doentes “sem causa conhecida”.
Com o declínio
da economia russa, os trabalhadores da área nuclear, que
eram privilegiados, tiveram seus salários cortados e
atrasados. Esta situação provocou greves e a segurança
destas instalações ficou a desejar. A Noruega mantêm
vigilância na região do Ártico desde que o Komsomolets
afundou. A fundação norueguesa Bellona acredita que nove
navios russos contenham rejeitos nucleares e que 17
reatores tenham sido jogados no Mar de Kara.
Uma década atrás,
a Marinha soviética lançava combustível usado nas águas do
Ártico, até que o Japão patrocinou um programa mais seguro.
Avalia-se que haja 29.040 elementos combustíveis, seis
reatores com combustível e 10 reatores sem combustível e
21.067 m³ de lixo radioativo sólido.
A situação nas
nove centrais nucleares não é diferente, pois os
combustíveis usados se acumulam nelas de forma precária. O
cemitério nuclear russo fica na península de Kola, na Baía
de Andreyev. Observe a tabela abaixo:
Mar de Barents e Mar da Noruega
Submarino Komsomolets naufragado a 1.685 m no Mar da
Noruega com um reator nuclear e duas ogivas nucleares.
Houve pequeno aumento da radiação de fundo.
Novaya Zemlya Fiorde Techenya
Dois reatores sem combustível a 35-40 m de
profundidade, desde 1988. Foram os últimos lançados no
Mar de Kara. A atividade estimada é de 0,15 KCi (0,006
PBq).
Novaya Zemlya Fiorde de Tsivolko
Três reatores sem combustível do quebra-gelo Lenin que
teve um acidente em 1966 e 1 container de concreto/metal
com combustível usado. 60% dos elementos combustíveis
de um dos reatores foram acondicionados em um
container e lançados no mesmo local. A atividade total
estimada é de 528 KCi (20 PBq).
Mar de Kara
Seis reatores nucleares contendo combustível foram
descartados com 10 reatores vazios. Há ainda 11.000
containers com lixo radioativo. Um reator com
combustível usado foi colocado a bordo de uma
embarcação que está naufragada a 300 m desde 1972. A
atividade estimada é de 28 KCi (1,1 PBq)
Fiorde Stepovogo
Dois reatores com
combustível usado estão a bordo do submarino K-27, um
submarino protótipo com reatores refrigerados a metal
líquido. O submarino foi afundado em 1981 e está a 50
m de profundidade. A atividade estimada é de 37 KCi
(1,4 PBq).
Fiorde Abrosimov
Três reatores com
combustível usado e outros 3 sem combustível dos
submarinos K-3, K-5 e K-11 e K-19. Os reatores estão
naufragados a 20 m desde 1965 e 1966. A atividade é de
398 KCi (14,6 PBq).
Tabela 1.
Região com descrição do lixo nuclear existente no local.
Os dois
acidentes mais famosos até o momento foram o de Three Mile
Island, em 1979, nos Estados Unidos, e o Chernobyl, em
1986, na União Soviética. Ambos originarão grande
quantidade de material radioativo que podem ser utilizados
na fabricação de uma BMR.
A radiação
provocou imensa contaminação do meio ambiente vizinho,
ocasionando mortes e doenças. Em Chernobil, a
radioatividade foi propagada pelo vento através de
milhares de quilômetros, chegando até a Europa Ocidental e
provocando a contaminação no leite e em outros alimentos.
O acidente de
Chernobil ocorreu durante os experimentos com os sistemas
da usina. Para realizar testes com o reator, o sistema
automático de segurança foi desligado. Como o reator foi
operado a uma potência muito abaixo do limite inferior por
um período muito longo, houve um superaquecimento. O
reator que utilizava grafite como moderador de nêutrons,
tornou-se rapidamente muito instável.
Quando os
operadores da sala de controle resolveram desligá-lo, não
foi mais possível, pois a potência do reator cresceu, ao
invés de decrescer. A reação em cadeia cessou
imediatamente, mas o aquecimento provocou uma explosão de
vapor e gases. A energia liberada levou ao deslocamento da
laje superior do concreto. Gases e partículas radioativas
foram lançados para a atmosfera. O ar interior que entrou
na central levou à combustão da grafite. O incêndio do
prédio foi extinto quase quatro horas depois, mas a
grafite continuou e a conseqüente liberação de material
radioativo.
Acidentes como
da usina de Chernobyl, por exemplo, não podem ocorrer em
usinas como a de Angra, que utiliza reator à água
pressurizada (PWR), em que os elementos combustíveis estão
dentro de um grande e resistente vaso de pressão de aço,
circundado por contenção que impede quaisquer emissões em
caso de acidente.
Nos reatores do
tipo PWR o sistema automático de segurança não pode ser
bloqueado; usa-se água que, diferentemente do grafite, não
entra em combustão quando aquecida. Além disso, o edifício
do reator é uma estrutura teoricamente segura, construída
para suportar impactos, e não simplesmente um prédio
industrial convencional, como o de Chernobyl.
Mas a destruição
do World Trade Center trouxe à tona preocupações com
possíveis ataques de terroristas a centrais nucleares. A
Nuclear Regulatory Commission dos Estados Unidos
recomendou às usinas nucleares americanas que voltassem a
adotar todas as medidas requeridas para garantir o mais
alto nível de segurança. No mesmo momento, o Departamento
de Energia enquadrou os laboratórios de armas nucleares
dentro do mesmo nível de vigilância.
Sabe-se
atualmente que as centrais nucleares continuam sendo alvo
de terroristas em possíveis ataques: em 03/07/2001, Ahmed
Ressam, um argelino preso em Los Angeles e que pertence,
segundo as autoridades, à organização de Osama Bin Laden,
revelou à Justiça que as centrais nucleares fazem parte
dos alvos potenciais do grupo. Da mesma forma, em 1993,
quatro dias após o atentado contra o World Trade Center,
que resultara em seis mortes, em 26 de fevereiro, uma
carta de reivindicação considerada de fonte verossímil foi
enviada às autoridades e ao "New York Times".
Nela, o "Quinto
Batalhão do Exército de Libertação" incluía os "alvos
nucleares" entre seus objetivos de ações futuras. Em junho
de 1993, o FBI desmantelou um campo de treinamento de
ativistas situado a 30 km da central de Three Mile Island.
Essas ameaças
devem ser levadas mais a sério, pois os reatores nucleares
não resistem ao impacto de um avião de linha do tipo dos
que atingiram o WTC. Os prédios de reatores foram
dimensionados para suportar choques causados por aviões
tais como o Cessna ou o Lear Jet, muito mais leves que as
aeronaves de linha.
O problema é que
é muito difícil mobilizar meios para se proteger contra
tais ataques. A única hipótese seria a instalação de
baterias de mísseis antiaéreos em volta das centrais. Os
Estados Unidos estudam checar todos os funcionários para
evitar sabotagem no interior das mesmas e montar baterias
antiaéreas em torno das 103 usinas nucleares existentes em
31 Estados norte-americanos; a aproximação aérea de tais
instalações é relativamente fácil, como demonstrou tanto o
atentado maciço contra as torres de Manhattan como a
maneira com a qual posou um planador motorizado sobre o
teto do reator suíço de Mühleberg, em 20/09/2000, com toda
tranqüilidade. O objetivo, naquela ocasião, era apenas
fincar uma bandeira do Greenpeace contra a energia
nuclear.
Dada as
circunstâncias surge a pergunta: será que o edifício do
reator de uma usina nuclear suportaria o impacto de um
avião comercial como, por exemplo, um Boeing? Alguns
especialistas dizem que sim, que o edifício suportaria
“um” choque com “um” Boeing, mas no ataque aos EUA tivemos
quatro aeronaves tripuladas por terroristas e no WTC foram
usados dois aviões de uma só vez, uma em cada torre. Não é
impossível calcularmos a probabilidade de terroristas
usarem dois aviões em um ataque a uma usina nuclear como
foi feito ao WTC.
Isso mostra que
é possível existir mais de uma única aeronave atacando um
alvo nuclear que pode ser uma usina nuclear, um depósito
de produtos radioativos ou químicos, naves militares
nucleares como submarinos e porta-aviões. Pode também ser
empregado outros meios juntamente com o ataque aéreo. Tudo
é possível e nada absolutamente nada nos dias de hoje é
totalmente seguro.
Mas afirmar que
uma estrutura pode suportar tal intempérie só pode ser
feita por meio de resultados de simulações e testes de
durabilidade do material usado nestas construções.
Sabemos que
multiplicando a massa do avião pela sua velocidade ao
quadrado temos a energia cinética de tais choques. Desta
forma, um Lear Jet de 5,7 t lançado na velocidade de 200
m/s produziria ao colidir contra o edifício uma energia de
240 milhões de joules, o suficiente para perfurar o
recinto.
Em comparação, a
colisão das torres de Manhattan pelos dois Boeing - que
deslocaram, cada um, uma massa de cerca de 150 toneladas à
velocidade de 250 nós, ou seja, 125 m/s - representou uma
energia superior a 1 bilhão de joules, ou seja, uma
energia comparável a de uma massa de 1.000 toneladas
caindo de 100 m de altura.
“Não se pode
garantir que a estrutura de um reator resistiria ao choque
de um avião de linha”, reconhece Philippe Jamet, do
Instituto de Proteção e de Segurança Nuclear. A questão é
saber se a aeronave, após ter danificado as barreiras
ambientais do edifício do reator, conservaria bastante
energia para conseguir destruir o circuito primário do
reator, liberando material radioativo para a atmosfera. A
fuselagem poderia ser contida pela estrutura do edifício,
mas as turbinas são feitas de aço e muito mais perfurantes.
Essa hipótese
nunca foi estudada por não levarem em conta nos cálculos à
hipótese de seqüestros de aviões por terroristas com
objetivos de transformá-los em vetores aéreos de ataque.
Enquanto os especialistas consideram que a queda de um
avião de turismo poderia se produzir com uma probabilidade
de um milionésimo (isto é, um acidente por reator a cada
um milhão de anos), eles julgam que a queda de um avião de
linha sobre um reator apresenta uma probabilidade 100
vezes menor, e, portanto, desprezível.
O
diretor-presidente Flávio Decat de Moura garante que Angra
I suportaria o impacto de um Boeing. Na audiência pública
na Câmara dos Deputados em 26/09/2001 explicou que foram
feitos testes na Alemanha utilizando aviões contra
estruturas nucleares desativadas. Os resultados
comprovaram que paredes com 70 cm de espessura são capazes
de agüentar o impacto de um Boeing de 180 toneladas numa
velocidade de 800 km/h.
As paredes de
aço de Angra I têm 75 cm de espessura, o que coloca a
unidade fora do risco de eventual dano nuclear em razão de
ataques terroristas. Já a parede de Angra II tem apenas 60
cm, ou seja, abaixo das especificações do teste. Mesmo
assim, assegurou que os reatores das duas usinas nucleares
estariam protegidos ainda por outras paredes de concreto
que circundam as usinas com 1,20 m de espessura. Caso haja
necessidade de fazermos um reforço na estrutura das usinas,
certamente faremos sem pensar mais vezes, afirmou Decat
aos deputados da Comissão de Minas e Energia.
Sobre os
rejeitos líquidos e sólidos, de baixa e média atividade,
gerados durante a operação de Angra I, são processados de
acordo com procedimentos específicos e acondicionados em
tambores testados e qualificados segundo Norma da Comissão
Nacional de Energia Nuclear - CNEN, baseada em normas e
requisitos internacionais.
Após devidamente
lacrados e identificados, os tambores contendo os rejeitos
são enviados para o Depósito Provisório de Rejeitos
localizado na Praia de Itaorna, próximo à Usina e
constituído por dois galpões construídos especialmente com
esta finalidade, onde ficarão armazenados até decisão
final da CNEN que, de acordo com a legislação vigente -
Artigo 21, Inciso V da lei 75.569 de 07 de abril de 1978,
é o órgão responsável pela destinação final dos rejeitos
radioativos.
Os rejeitos de
alta atividade de uma usina nuclear são formados pelos
elementos combustíveis usados. Na verdade, não são
propriamente rejeitos, uma vez que têm valor comercial,
pois ainda contém material nuclear que pode ser recuperado
em uma usina de reprocessamento. No caso de Angra I, os
elementos combustíveis usados estão estocados em piscina
especial própria para esse fim, em um dos prédios da usina
com acesso controlado, blindagem apropriada, ventilação
especial, enfim, cercados de todos os requisitos de
segurança exigidos internacionalmente.
No caso de
Chernobyl os elementos combustíveis eram contidos em
canais dentro de uma matriz de grafite. O conjunto não
possui envoltório, obrigatório nos reatores utilizado no
Ocidente. As análises do acidente apontaram para um
sistema deficiente de desligamento de emergência, além de
violações de procedimento por parte do pessoal de operação.
Reatores como o
da usina de Chernobyl só se construiu dentro da antiga
União Soviética e só eram exportados para países ligados
ao bloco soviético. No Brasil, o acidente de Goiânia
envolvendo Césio também criou grande quantidade de
material “sujo” e trouxe transtornos enormes para o país.
Esse caso
específico pode servir de exemplo para termos uma noção do
efeito de um ataque com uma bomba suja que contenha na sua
composição cloreto de césio. Em 13 de setembro de 1987 foi
roubado um aparelho de radioterapia abandonado que
continha uma fonte de cloreto de césio do Instituto Goiano
de Radioterapia, abandonada na avenida Paranaíba. O "roubo"
foi praticado por Roberto Santos Alves e Wagner Mota.
A cápsula com
cloreto de césio foi aberta no quintal da casa onde morava
Roberto Alves e seu amigo Wagner Mota, que venderam em 18
de setembro de 1987 a peça, chumbo e fonte, a um
ferro-velho na Rua 57, nº 68, em Goiânia, de propriedade
de Devair Alves Ferreira e Ivo Alves Ferreira.
Atraídos pela
luminescência do césio, adultos e crianças o manipularam e
distribuíram entre parentes e amigos. O "pó venenoso",
contendo cloreto de césio, foi manuseado pelas pessoas que
o deixavam onde colocavam as mãos os pés ou onde se
sentavam; foi distribuído para ser levado para casa em
vidrinho, colocado no bolso, esfregado no corpo. Foi
varrido para baixo de armários, para a cozinha, para o
quintal. Foi lavado pela chuva e carregado pelo vento.
Ao ser violada,
perdeu, aproximadamente 90% do seu conteúdo, com o césio
em pó espalhando-se num pequeno pedaço de tapete colocado
sobre o chão, à sombra de duas mangueiras. Parte do
material ficou no recipiente, mais tarde levado para outro
local.
Um complexo
encadeamento de fatos resultou na contaminação de três
depósitos de ferro-velho, um quintal, uma repartição
pública e diversas residências e locais públicos.
A cápsula e seus
fragmentos foram manipulados a céu aberto, o que
contaminou diretamente o solo. Parte do material foi
transportado inocentemente por pessoas, inclusive crianças,
encantadas com a luz emitida por aquele pó sem cheiro, nem
quente nem frio, sem gases, inofensivo.
Devair
presenteou sua sobrinha Leide, de seis anos, com uma
porção do pó cintilante; a menina espalhou-o pelo corpo e
comeu pão com as mãos sujas, ingerindo césio. Um dos
companheiros de Devair esfregou o pozinho na pele para
sentir o brilho no próprio corpo; outro guardou um pouco
no bolso, pegou um ônibus e foi para casa, enfeitou a
geladeira com uma parte e guardou o resto embaixo da cama
para ver o brilho durante a noite.
Os primeiros
sintomas da contaminação como náuseas, vômitos, tonturas,
diarréia, apareceram algumas horas após o contato com o
material. As pessoas procuravam farmácias e hospitais e
eram medicadas como vítimas de alguma doença
infecto-contagiosa. Somente em 29 de setembro, um dia após
a esposa e um empregado de Devair terem levado parte do
aparelho para a sede da Coordenadoria de Vigilância
Sanitária da Secretaria de Saúde, aqueles sinais foram
identificados como característicos da síndrome da radiação.
Alguns pacientes
já tinham sido recebidos pelo Hospital de Doenças
Tropicais de Goiânia (HDT) e um dos médicos consultou a
Secretaria de Saúde de Goiás, cabendo ao físico Walter
Mendes Ferreira, que ali trabalhava, dar o alarme. Mendes
obteve da agência local da NUCLEBRÁS um cintilômetro e foi
até a sede da Vigilância Sanitária, onde a peça da cápsula
tinha sido posta sobre uma cadeira, o medidor confirmou a
hipótese; ali estava a origem de tudo.
Esse material, o
Césio se fosse um elemento na composição de uma bomba suja,
no caso de uma explosão numa grande cidade, quadras
inteiras da cidade teriam de ser demolidas por causa da
contaminação. A cidade ucraniana de Chernobyl, que já tem
800 anos, foi programada para ser totalmente nivelada,
dois anos e meio depois de sofrer o pior acidente do mundo
que envolvia uma usina nuclear. Afirma-se que tal medida é
necessária porque a radiação tornou a cidade inapropriada
para habitação humana durante décadas.
As preocupações
com ataques com bombas "sujas" aumentaram nos Estados
Unidos depois dos atentados de 11 de setembro,
principalmente após os boatos de que a rede terrorista Al
Qaeda, responsabilizada pelos ataques, tem procurado
materiais nucleares no mercado negro.
BMR ou Bomba
Nuclear
Embora a
quantidade exata seja um segredo bem guardado, estima-se
que uma bomba nuclear exija de 3 a 25 kg de urânio
enriquecido ou de 1 a 8 kg de plutônio próprio para
fabricação de armas. Para alegria dos contrabandistas, 7
kg de plutônio mal ocupam o espaço de uma lata de
refrigerante.
Não existe
evidência concreta de que qualquer organização terrorista,
incluindo a de Osama Bin Laden, tenha uma arma nuclear
pronta no seu arsenal. Porém, não faz muito tempo que o
antraz parecia ser uma ameaça distante. Alguns
especialistas admitem temer que inimigos dos Estados
Unidos montem uma bomba atômica com urânio e peças
contrabandeadas. "Não se pode dizer que é algo provável,
mas é possível", afirma Anthony Cordesman, pesquisador do
Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais, em
Washington.
"A dificuldade
consiste no fato de que estamos lidando com uma ampla gama
de casos de baixa probabilidade. Não podemos temer nenhum
deles, mas temos que nos preocupar com todos".
Dentre essas
probabilidades estão as bombas convencionais "sujas",
carregadas com lixo radioativo, e ataques a usinas
nucleares, o que causaria um enorme vazamento de radiação.
Outra ameaça são
as secretas ADM. Durante anos, circularam boatos do mundo
da espionagem, segundo os quais um número não determinado
de bombas atômicas de mala fabricada pelos soviéticos (também
conhecidas como Munição de Demolição Atômica, ou ADM, na
sigla em inglês) teria desaparecido dos arsenais oficiais,
supondo-se que teriam ido parar no mercado negro russo.
Os russos deram
declarações confusas e conflitantes sobre o destino de
suas ADM's, fazendo com que muita gente pensasse no pior.
As ADM's pesam entre 27 e 45 kg, segundo Bruce Blair, um
ex-oficial da USAF e especialista em armas nucleares
soviéticas. Elas poderiam ser levadas em uma mala medindo
20 cm de largura, 40,5 cm de altura e 61 cm de comprimento.
Porém, o
material físsil no interior de um mini-artefato nuclear se
degrada com o tempo, e é improvável que os russos tenham
feito a manutenção dessas armas, ou que os seus novos
donos tivessem a capacidade de fazer essa manutenção.
"Não existe
evidência sólida de que qualquer grupo rebelde ou
terrorista possua uma dessas armas", afirma John
Lepingwell, especialista em energia nuclear do Instituto
de Estudos Internacionais de Monterey. Caso os terroristas
não pudessem comprar as armas nucleares portáteis, só lhes
restaria fabricá-las. Em um estudo assustador realizado
pelo Instituto de Controle Nuclear, um grupo de Washington
dedicado à pesquisa de não-proliferação de armas atômicas,
concluiu que uma equipe de terroristas aplicados, mas sem
conhecimento prévio em energia nuclear, seria capaz de
montar uma bomba, caso tivesse à sua disposição os
materiais necessários (tais como plutônio 239, urânio 235,
óxido de plutônio e óxido de urânio).
O trabalho
levaria cerca de um ano para ser completado. "Não há
dúvidas de que o único obstáculo restante seria a
aquisição do material", explica Paul Leventhal, presidente
do instituto. Uma quantidade de ingredientes ativos
pesando menos de 110 kg poderia gerar 10 quilotons de
poder explosivo, o que equivale a uma bomba semelhante a
que foi lançada sobre Hiroshima.
Mesmo que os
terroristas não entendessem muito bem os procedimentos
para a fabricação do artefato, uma bomba de 1 quiloton já
seria suficiente para devastar uma cidade. E esqueça a
mala. Um caminhão ou um navio carregado de contêineres
para enviar a bomba a um porto norte-americano é o mais
provável.
E onde Bin Laden
conseguiria o material? Mais uma vez a resposta seria a
Rússia, com a sua reputação de ser um mercado de pulgas no
que se refere a materiais atômicos. E um membro da
organização de Bin Laden disse às autoridades que o
saudita estaria procurando comprar os ingredientes
nucleares. A minha impressão é que seria prudente assumir
que grupos terroristas como o de Bin Laden conte com
alguma capacidade nuclear. Outros especialistas demonstram
menos certeza quanto à possibilidade de que algum grupo
terrorista seja capaz de fabricar ou adquirir uma arma
atômica.
Um estudo sobre
terrorismo, feito em 1999 pela Rand Corporation, afirma de
uma maneira tranqüilizadora que "a fabricação de um
artefato nuclear capaz de causar destruição em massa
apresenta obstáculos hercúleos, não só para os terroristas,
mas até mesmo para Estados dotados de programas
sofisticados, que contam com financiamento generoso".
E é por isso que
o maior perigo pode estar nas bombas sujas, ou seja, armas
convencionais utilizadas para espalhar materiais
radioativos, que pode variar desde varetas de reatores
nucleares até roupas contaminadas. Embora o número de
mortos em tal ataque provavelmente não fosse alto, a
contaminação e o pânico público seriam generalizados.
Neste contexto,
a bomba suja suprema seria uma usina nuclear. A
possibilidade de alguém arremessar uma aeronave contra,
por exemplo, a torre de resfriamento de uma usina nuclear
não é o único risco.
Apesar de numa
usina nuclear existir o envoltório de contenção, também
conhecido como barreira biológica, composto de uma
barreira de aço com uma barreira de concreto, superposta à
primeira, onde fica o circuito primário de uma usina
nuclear, não se sabe o efeito de um ataque com um vetor
aéreo como um Boeing como foi ao WTC e ao Pentágono, nos
EUA.
Esta estrutura,
o prédio do reator, deve conter qualquer problema que
aconteça neste circuito, impedindo que escape para o
ambiente externo. Também deve ser resistente a ataques
externos, como a queda de um avião, choque de míssil,
terremoto, raios e inundações. Além de usinas para
produção de eletricidade, reatores nucleares podem ser
instalados em navios, submarinos e satélites. Essa
utilização da energia nuclear por parte dos meios de
transportes, na maioria das vezes militares, levanta
teoricamente a possibilidade de ocorrer um seqüestro de
uma destas aeronaves onde terroristas, deslocando esse
equipamento até o local desejado possam vir a detonar a
aeronave a fim de contaminar a maior região possível num
raio próximo do ponto de detonação.
Periodicamente a
Comissão de Regulamentação Nuclear realiza simulações de
ataques contra essas instalações, e os falsos intrusos
venceram em metade dos ensaios, o que significa que eles
conseguiram atingir uma posição de onde seriam capazes de
causar uma destruição enorme. Trata-se de um ambiente rico
em alvos.
Não é apenas o
núcleo da usina que é vulnerável. Segundo um estudo da
Comissão de Regulamentação Nuclear, caso os terroristas
explodissem a piscina de resfriamento onde se encontram as
varetas usadas de material radiativo, a radiação liberada
poderia matar 6% da população que morasse em um raio de 16
km da usina.
Os atentados
terroristas de 11 de setembro aos Estados Unidos
comprovaram que os mecanismos de segurança do espaço aéreo
não foram suficientes para evitar o ataque terrorista.
Regiões onde se localizam instalações de interesse
nacional como usinas nucleares, centros biológicos e
outros mais conforme definição nacional devem ter um
mecanismo de defesa próprio. Dependendo da região onde se
localiza deve ser utilizado barreiras terrestres,
restrição do espaço marítimo e defesa do espaço aéreo por
sistemas como o Hawk ou mesmo o ASTROS.
Pode ser uma
cena forte vermos homens com fardas portando armas de fogo
e fazendo o controle do tráfego rodoviário em estradas
adjacentes a esses centros, carros de combate e sistemas
de proteção terra-ar, mas é uma atitude que gera um
resultado aceitável para manter em funcionamento
instalações de interessa nacional.
Entretanto,
controlar os materiais a partir de sua fonte é a maneira
mais eficaz de proteger qualquer país deste tipo de ataque.
No início de
1996, um físico russo foi preso, acusado de contrabandear
para fora do país mais de 1 kg de material radioativo que,
segundo declarado, "daria para construir uma bomba
nuclear", disse o Süddeutsche Zeitung. Ao chegar a Munique,
descobriu-se que um passageiro carregava plutônio, dentro
de sua pasta.
Conclusão
Há 433 reatores
nucleares em operação, em 32 países (1999). Esse dado
aponta para a enorme quantidade de material radioativo
existente no mundo. A falta de