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PR - 24

Por Fabrizzio Bonela Dal Piero

Apresentação: 

Esclarecemos que o bastão PR-24 (doravante denominada Tonfa Policial) e suas táticas e técnicas são de uso exclusivo da área de Segurança Pública e Privada, pois fazem parte da defesa do dia-a-dia desses profissionais.

A necessidade desse tratamento rigoroso para com a Tonfa Policial dá-se por sua eficiência, como também pelos danos causados por sua possível má utilização. Contudo, como poderia inicialmente parecer, as técnicas com Tonfa utilizadas em artes marciais não tem utilidade na Segurança Pública e Privada, pois tais técnicas são especialmente desenvolvidas para cada tipo de luta. O dia-a-dia da Segurança é bem diferenciado, já que existem certos tipos de ocorrências, tais como conflitos, desocupação de terras, tumultos em estádios, agressões a pauladas, chutes, facadas e etc, em que nada adiantaria utilizar as técnicas exclusivas das Artes Marciais. Em alguns poucos países da Europa, as armas de fogo são empregadas por Policiais apenas em Operações Especiais, já que entendem que, para o policiamento ostensivo diário, lá não há a necessidade do uso delas, sendo muito prático deter um individuo com a PR-24 ao invés de precisar utilizar disparos de Armas de Fogo as quais, em mãos despreparadas, podem vir a atingir inocentes. Na Europa os policiais que empregam a Tonfa Policial são altamente treinados para isso.

Por nossos conhecimentos de Artes Marciais e dedicação à área de Segurança Pública e Privada, envolvemo-nos em vários estudos e tipos de treinamento com a Tonfa Policial, tirando disso um grande proveito para o nosso dia-a-dia, já que foram desenvolvidas técnicas seguras e avançadas, adequadas à realidade Nacional, Estadual e Municipal.

No Brasil o uso da Tonfa Policial propicia a seus portadores, defesas e imobilizações eficientes, comprovadas pela utilização mundial de tal artefato, durante muitos anos, por parte de vários usuários devidamente habilitados e plenamente satisfeitos com os bons resultados por eles obtidos. Sua evolução aos dias atuais é mundialmente aceita pela Segurança Pública e Privada como instrumento de eficiência e profissionalismo policial.
 
Vale destacar neste momento a definição de Bastão: uma vara de pau ou outro tipo de material que se usa para servir de apoio ou de arma. No início da década de 40, o bastão se transformou em um instrumento de defesa.

Já a Tonfa Tradicional era um instrumento originalmente confeccionado em madeira roliça e dura, muito usado em Academias de Artes Marciais, sendo o único instrumento apropriado para se defender de ataques dos sabres (Katana – Espada Japonesa), de bastões e armas articuladas (Nunchaku).

Muitas pessoas vêem a Tonfa como um simples pedaço de madeira com toco na lateral, só que este toco denomina-se MANETE, e a Tonfa, é mais que um simples objeto, na realidade podemos considerá-la como uma arma, pois se usada de maneira incorreta pode levar a pessoa atingida à morte.
 
As pessoas que praticam artes marciais para obterem autocontrole físico e mental utilizam a Tonfa como um instrumento de autodefesa e não de ataque.

A Tonfa tem sua origem no Kobudô Japonês, que é o estudo das técnicas antigas de artes marciais japonesas, mais precisamente teve sua origem na ilha de Okinawa para defesa de seus habitantes. A Tonfa passou por um processo de evolução e teve vários nomes, como: TWNFA, TUINFA, TONKUWA, TUNFA, TUIFA e TONGWA. A hipótese mais aceita é de que inicialmente era uma ferramenta agrária utilizada na colheita de grãos, mais precisamente para descascar e moer arroz, na confecção do saquê, uma bebida muito popular consumida neste país. 

Foi então uma arma improvisada, oriunda da necessidade de defesa, não era uma arma de guerra, veio da adaptação de ferramentas agrárias como tantas outras armas do repertório do antigo Kobudô, há ex. do Nunchaku (vara articulada de descascar grãos), o Sai (Tridente usado para plantar grãos), Ekudi (Remo dos barcos de pesca) e a Kama (pequena foice de colher arroz). Uma curiosidade sobre a Tonfa é que com o passar do tempo não era incomum vela sendo usada como cabide para pendurar kimono nos antigos Dojôs. Penso que faziam isto para ocultar seu verdadeiro propósito dos inimigos.

Estas armas até então improvisadas, tiveram sua pratica associada ao Karate (Caminho das Mãos Vazias) e ao Kempo (Mão da China), pois eram as artes marciais praticadas naquele tempo em Okinawa como defesa pelos habitantes, duas Tonfas eram freqüentemente usadas simultaneamente, e era uma arma muito eficiente contra ladrões, posteriormente, devido a sua eficiência acabou sendo incorporada por outros sistemas de lutas e sendo difundida pelo mundo também no Kung Fu (Chinês), no Tae Kwan Do (Coreano) e em outras artes Marciais.

O começo do uso da Tonfa tem seu início na China. A Tonfa era chamada de Tonkuwa na antiga China, era um instrumento utilizado para bater grãos de arroz nas lavouras. Durante a Invasão japonesa na China, o Imperador japonês confiscou todas as armas que estivessem em mãos dos chineses, a fim de evitar possíveis rebeliões, estratégia usada pelos EUA na ocupação do Japão na 2ª Guerra Mundial.

Até a segunda metade do século XIX, o Japão resiste ao imperialismo ocidental. Em 1874, o Japão envia tropas contra Taiwan para testar a resistência chinesa. Porém por normas fundamentadas pelo Reino Unido os japoneses retiram suas tropas da China.

O expansionismo japonês volta a se manifestar em 1879 com a anexação das ilhas Ryukyu, sob protesto chinês. O principal objetivo do Japão, porém, é a Coréia, que ocupa posição estratégica e possui grandes reservas minerais, especialmente de carvão e ferro. A China, também busca consolidar sua influência nessa região. Surgem confrontos armados entre facções coreanas pró-China e as favoráveis ao Japão. Os dois países enviam tropas para conter o conflito. Os japoneses insistem em permanecer na Coréia, o que a China considera uma agressão a seus interesses.

A guerra começa em agosto de 1894 com o bombardeio de barcos japoneses pelas forças navais chinesas. O Japão contra-ataca derrotando o adversário. No início de 1895 invade também a Manchúria e a província de Chan-tung, toma porto Arthur e controla o acesso marítimo e terrestre a Pequim. A China sofria basicamente um processo de escravidão, tudo que se produzia naquele país era para benefício do Japão. Todos na China já estavam exaustos com a exploração japonesa, pois se tornaram escravos do Japão.

Um dia um jovem agricultor da ilha de Okinawa até então tomada pelo império do sol nascente e mesclada culturalmente à China, foi agredido em praça pública por um ocupante japonês, cansado de apanhar, não teve outra escolha a não ser, tomar a Tonkuwa (Tonfa) das mãos de uma das mulheres que batiam arroz para se defender do Bo, ou seja, a vara longa, usada naquela época pelos ocupantes japoneses. Brilhantemente o rapaz conseguiu se safar do ataque. Foi um fato que jamais saiu da mente dos que presenciaram a cena. Completamente inovador e genial. Quem diria, um instrumento agrário, virando um instrumento de defesa?

Nascia para os habitantes de Okinawa que se refugiavam nas lavouras, a esperança de serem livres... Estes passaram a se utilizarem de várias outras ferramentas agrárias, tais como a vara longa (BO), o tridente (SAI), e a foice (KAMA), além dos remos dos barcos dos pescadores (EKUDI) e até mesmo dos malhos de grãos (o popular NUNCHAKU) como armas para se defenderem dos japoneses.
 
O Japão vence a China na Guerra Sino-Japonesa (1894-1895), em que disputava o controle da Coréia. A paz é selada em 1895 pelo Tratado de Shimonoseki. A China é obrigada a reconhecer a independência coreana e a pagar indenização de guerra ao Japão, além de ceder territórios e abrir quatro portos ao comércio japonês. Com a vitória militar, recebe as ilhas de Taiwan (Formosa) e dos Pescadores, além de volumosa indenização. Por manter o interesse na Coréia, o Japão entra em guerra com a Rússia (1904-1905). Novamente vitorioso, consolida-se como potência e inicia sua expansão imperialista.

Devido à vitória do Japão na Guerra Sino-Japonesa, muitos chineses e coreanos imigraram para o Japão, levando consigo a bagagem do conhecimento das artes marciais, e também a história do rapaz que havia vencido um samurai com uma Tonfa.

Durante a Segunda Guerra Mundial o governo militarista japonês alia-se à Alemanha e à Itália em 1940 e ocupa a Indochina francesa no ano seguinte. A expansão militar coloca o Japão em choque com os EUA.
Em dezembro de 1941, os japoneses realizam um ataque-surpresa e destroem a esquadra norte-americana ancorada em Pearl Harbor, no Havaí.

O Japão toma o sudeste da Ásia e a maior parte do Pacífico Ocidental, mas é derrotado pelas forças aliadas e retira-se das áreas ocupadas. A rendição só acontece em setembro de 1945, após a explosão das bombas atômicas jogadas pelos EUA nas cidades de Hiroshima e Nagasaki. Os norte-americanos ocupam o Japão até abril de 1952 e impõem uma Constituição e um sistema de governo nos moldes da democracia ocidental. O Japão assina em 1954 um tratado de defesa mútua com os EUA, que inclui a instalação de bases militares norte-americanas. As instituições políticas conservam, porém, certas características anteriores, como a tradição de lealdade ao chefe.

Com o fim da guerra, como era de se esperar, muitos chineses e muitos japoneses imigraram para a tão prometida América, dentre eles, os grandes mestres que levaram consigo muitos conhecimentos sobre as artes marciais. Nascia a partir do fim da Segunda Guerra a febre das artes marciais.

Foi quando o cinema passou a criar vários filmes nos quais, tinham-se como heróis os dragões das artes marciais, os Ninjas, os combates mortais, os grandes torneios, e toda a paixão e esoterismo que envolve as artes marciais. Grandes pontes para o mundo oriental o qual trouxe a grande fascinação de todos por este encantado mundo das artes marciais.

Os grandes mestres foram os grandes responsáveis pela difusão da Defesa Pessoal e da Tonfa nos Estados Unidos, e estes foram efetivamente o primeiro país a utilizar a Tonfa na segurança. É muito fácil notar em todas as imobilizações policiais nos EUA, o uso da Tonfa pelos policiais, bem como também nos filmes.

Finalmente nos anos 70, após alguns anos de testes os americanos passaram então a admirar a Tonfa e suas múltiplas utilizações. Desse modo a Tonfa substituiu definitivamente o ultrapassado cassetete termo que designa o instrumento cuja denominação original é casse-tête (vocábulo de origem francesa), aperfeiçoaram o MANETE – o qual era liso – tornando-o mais anatômico e confeccionando-a em materiais mais resistente do que a madeira, ou seja, um polímero sintético, como por exemplo, a fibra de carbono e o polietileno (derivados do Plástico virgem de alta resistência mecânica), e esta passou a ser conhecida naquele país como Monadnock, ou Cassetete Americano, e iniciou seus primeiros passos pelo mundo da segurança.

Nos anos 80, a Tonfa passou a ser difundida na Europa, como por exemplo, a Inglaterra, a Alemanha, a Dinamarca e a França, sendo este último, o país que mais levou a sério o assunto: tratou a Tonfa como arma, sendo os primeiros a instituírem leis para a sua utilização e criou-se até um porte. Hoje na França, existe a Federação Internacional de Tonfa.

Ao vir para o Brasil (o que aconteceu somente em 1985), a Tonfa teve que ser adaptada aos padrões de altura dos brasileiros já que, na época, não existiam Tonfas de fabricação nacional. As Tonfas importadas tinham proporções muitas maiores do que as atualmente aqui fabricadas, medindo 80 cm de comprimento.

Historicamente, o primeiro estudo de emprego da Tonfa no Brasil foi encomendado para a FEPASA, porém não tendo na época grande apreciação da diretoria daquele órgão, acreditamos que tal fato ocorreu por falta de instrução adequada. Contudo, logo depois o Metrô de São Paulo passou a utiliza-la, seguindo por alguns outros usuários, como, por exemplo, empresas voltadas ao mercado de Segurança Privada e também por Policiais Militares de todo o Brasil.

Atualmente, no Brasil, a Tonfa faz parte do equipamento de trabalho de Policiais, Seguranças Pessoais, Guardas Municipais e Vigilantes.

Com seu uso aprovado exemplos vivos de imperícia e desconhecimento tático e técnico temos a todo instante aqui mesmo, no estado e no país: em quantas manifestações urbanas e tumultos em estádios pudemos ver a policia perdendo seus instrumentos e, às vezes, ainda apanhando com eles? As Guardas Municipais também são vitimas constantes de tal tipo de acontecimento, principalmente ao lidar com os chamados “marreteiros” (indivíduos com conhecimento prévio de lutas ou artes marciais).

Hoje já existem Tonfas fabricadas em todas as partes do mundo com os mais diversos tipos de matéria-prima, sendo que as mais usadas são de Polímeros Sintéticos, como por exemplo, a fibra de carbono e o polietileno (derivados do Plástico virgem de alta resistência mecânica).

A mais recente versão é a TF-24/59 – considerada a mais moderna Tonfa da atualidade, foi desenvolvida com a ajuda de especialistas policiais da União Européia, da Polônia e da República Checa, possui 59 cm de comprimento, 510 gramas de peso e é confeccionada em Polipropileno (mesmo material utilizado na confecção das lentes de óculos).

Há também PRs Retrateis, confeccionadas em liga de metal ou aço, e outras que portam lanternas, lâminas e até com adaptação para disparar um balote de borracha calibre 12.
 
O mais utilizado no Brasil pode ser adquirido por fornecedores de insumos policiais. Feita de Polietileno com 59 cm de comprimento – daí a origem do nome PR-24, menção as polegadas, mais precisamente 23,2”, possui aproximadamente 500 gramas, sendo 14 cm de uma extremidade ao Manete, e 41 cm do Manete à outra extremidade. O Punho possui 10 cm canelado para maior aderência nas pegadas, o Manete possui estrias seguido de uma Cabeça de aproximadamente 5 cm para evitar que a PR fique instável nos movimentos circulares de ataque e defesa proporcionando uma melhor pegada, com mais segurança no seu manuseio diário.

Fazer as explicações acima foi importante para mostrar um pouco da história e do atual conceito de um tipo de equipamento amplamente utilizado no Brasil que tem enorme importância na Europa e nos Estados Unidos e pouco gosto pelos nossos profissionais. Talvez seja pela falta de conhecimentos. Por isto, é objetivo deste curso a aplicação das táticas e técnicas desenvolvidas para a nossa realizada que junto com a promoção do conhecimento do equipamento criar novas formas de atuação e de uso do Bastão Policial PR - 24.

OBJETIVOS GERAIS:
 
Educar os profissionais a trabalhar com o equipamento PR - 24 assim como entender as suas características e funcionalidades no emprego policial e militar.
 
OBJETIVOS ESPECÍFICOS:
 
Proporcionar conhecimentos de uso e manuseio do equipamento no dia a dia do trabalho do profissional que lida com a Segurança Pública.
 
EMENTA:
 
Histórico da criação da tonfa; Treinamento do trabalho biomecânico para melhor uso da tonfa; Treinamento de defesas com a tonfa; Treinamento de ataques com a tonfa; Dinâmicas de combate com a tonfa; Treinamento de defesa e contrataque seguido de imobilização; Treinamento de condução com o uso da tonfa; Treinamento de rolamentos com a tonfa; Treinamento de formações para escolta e acompanhamento a pé.

DURAÇÃO DO CURSO: 

O curso tem duração de quatro dias totalizando uma carga horária de 40 horas de educação e treinamento.

MAIS INFORMAÇÕES:

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