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Técnicas Policiais Especiais em Manguezais
 

Por Fabrizzio Bonela Dal Piero

APRESENTAÇÃO:

Nos últimos anos venho estudando paulatinamente três capitais brasileiras que apesar de estarem em regiões diferentes possuem características idênticas que as colocam numa situação especial quando analisadas sob a ótica da Segurança Pública.

O resultado é preocupante e exige soluções imediatas a fim de se evitar problemas sociais e econômicos maiores para as cidades em questão.

O estudo que originou este resultado foi feito nos últimos dois anos, tendo o seu início na data de 05 de janeiro de 2008 e encerrando-se em 05 de janeiro de 2010 e considerou a geografia natural do território que cada uma das capitais tem. Todas as três cidades têm belezas naturais que encanta moradores e visitantes e também proporciona um potencial logístico enorme facilitando o deslocamento, promovendo a mobilidade urbana e aumentado o acesso de pessoas moradoras de fora das ilhas às regiões centrais das capitais.

Dentro de cada um dos cenários das três capitais ilhas do Brasil que são Florianópolis, Vitória e São Luís o que meus estudos alertam é para a falta de ocupação do Poder Público nas regiões quer circundam as capitais e ao mesmo tempo relacionam-se diretamente com o cerne político-social-econômico do Estado: a capital.

Haja vista que já por volta do ano de 2000 já tinha dito em um artigo publicado no Portal Militar que as Nações têm poder quando controlam suas ilhas porque tudo que primeiro acontece é nas ilhas que acontecem. E, como já mencionado anteriormente o Brasil tem três de suas capitais em ilhas e de acordo com minhas análises em meus estudos, seja por falhas do Poder Municipal, Estadual ou Federal não andam lá cuidadas como deveriam.

Cercadas por áreas de mangue e com caminhos sinuosos que permitem a navegação de pequenas embarcações, como é o caso da capital de Vitória, são locais de difícil acesso e controle “para e por parte” do Poder Pública por meio de suas Instituições de Segurança Pública, deixando os espaços livres para as ocupações criminosas. E assim ocorre um fenômeno que chamo de “Incrustação Criminosa” quando em áreas geográficas com pouca ou nenhuma presença do Estado instalam-se os negócios do crime que fixa estruturas sociais, econômicas e políticas tomando para si a falsa responsabilidade de administrar e gerenciar a região, tarefa esta do Estado. Aos moradores cabe apenas ficar reféns dos traficantes e criminosos.

Em troca os grupos criminosos realizam seus negócios criminosos, usam os espaços e em alguns casos até mesmo os moradores locais como mão-de-obra em seus ilícitos. Caso que ocorre nos morros do Rio de Janeiro.

O fenômeno pode ser visto ocorrendo no Rio São Francisco em suas ilhas e ilhotas espalhadas pelo interior de Pernambuco mais precisamente em Cabrobró. Destaco aqui: Ilha de Caxauí, em Belém do São Francisco; Ilha do Coité, em Itacuruba; Ilha do Pontal e Ilha das Cabaças, em Lagoa Grande; Conjunto de Ilhas de Orocó; Ilha do Fogo e Ilha do Rodeadouro, em Petrolina e Ilhas de Santa Maria da Boa Vista.

Já na Bahia a Ilha Redonda, próximo ao Povoado de Maria Preta vem se destacando como área ativa no plantio de maconha.

A região é conhecida em todo o Brasil como o Polígono da Maconha, formado por uma linha imaginária que liga mais de 20 municípios no sertão pernambucano. Abrange uma área de 40 mil quilômetros quadrados. Quase a metade do estado de Pernambuco.

Nesta região o cultivo da maconha começou há cerca de 30 anos.

Internacionalmente tenho acompanhado pessoalmente o desenvolvimento do fenômeno “Incrustação Criminosa” em Guiné-Bissau. As ilhas que formam o arquipélago de Bijagós, classificada pela UNESCO como reserva da biosfera, são um exemplo da falta de controle policial e militar naquele país. São 88 ilhas que hoje podem estar sendo usadas por traficantes e criminosos internacionais, facilitando o acesso das drogas em todo continente africano e europeu. A falta de um controle mais rígido e a produção de dados estatísticos confiáveis dificulta a produção de informações mais precisas, mas é sabido que hoje a Guiné-Bissau é um dos principais países da África Ocidental em que se realiza o tráfico de droga com destino à Europa, segundo um estudo divulgado por um organismo das Nações Unidas (ONU). O relatório de 2009 da Autoridade INCB, (sigla em inglês) indica que "o Conselho de Segurança da ONU tem examinado a questão do tráfico de cocaína através dos países da África Ocidental, especialmente na Guiné-Bissau". Desde 2004, segundo o estudo, organizações de narcotraficantes têm utilizado cada vez mais a África Ocidental como zona de trânsito do tráfico de grandes quantidades de cocaína da América do Sul para a Europa e, em menor quantidade, para a América do Norte.

No caso de nossas capitais ilhas a situação não chega a tanto, mas requer atenção especial por parte de suas Secretarias de Segurança.

Florianópolis possui uma forma alongada e estreita, com comprimento médio de 54 km e largura media de 18 km. Com litoral bastante recortado, possui várias enseadas, pontas, ilhas, baías e lagoas. A ilha está situada de forma paralela ao continente, separadas por um estreito canal. Seu relevo é formado por cristas montanhosas e descontínuas, servindo como divisor de águas da ilha. As altitudes variam entre 400 e 532 metros. O ponto mais alto da ilha é o Morro do Ribeirão, com 532 metros de altitude. Paralelamente às montanhas surgem esparsas planícies, em direção leste e na porção noroeste da ilha. Na face leste da ilha, há presença de dunas formadas pela ação do vento.

O destaque fica para o Manguezal do Itacorubi considerado um dos maiores mangues urbanos do mundo e a Reserva Extrativista da Costeira do Pirajubaé, a caminho do Aeroporto Hercílio Luz, em Florianópolis.

Em março de 2010 foi feito o resgate de oito pessoas que no manguezal se perderem após entrarem para pegar caranguejos. Todos foram resgatados com vida com a utilização de uma aeronave de asas rotativas da Polícia Militar.

No caso do Espírito Santo a sua capital a cidade de Vitória é cercada pela Baía de Vitória, localizando-se em uma ilha de tipo fluviomarinho, e é formada por várias ilhas, inclusive algumas a mais de 1100 km da costa. Pode ser considerada como a menor cidade do Brasil, subtraindo as ilhas de Trindade e pela Ilha de Martim Vaz.

Além da ilha principal, fazem parte do município outras 34 ilhas e uma porção continental. Originalmente eram 50 ilhas, muitas das quais foram agregadas por meio de aterro à ilha maior. Ainda assim, a fiscalização e o controle policial e militar são demasiadamente difícil devido à natureza intrínseca do espaço.

Casos de tráfico de drogas, contrabando, roubo e estupro são registrados com freqüência. Em 31 de janeiro de 2010 foi registrado um estupro de uma estudante de 21 anos próximo ao bairro Jabour. A vítima foi violentada e após o crime foi jogada na maré. O crime foi registrado no DPJ de Vitória, de onde a jovem foi encaminhada para exames de lesão corporal no DML, em Vitória.

O destaque fica para a Universidade Federal do Espírito Santo – UFES que tem o seu Campus Acadêmico inserido na região de Goiabeiras localizado bem próximo a área de manguezal que ocupa toda a parte posterior da área da UFES. Em 2008 foi iniciado um processo de implantação de novos e inéditos equipamentos de segurança: cancelas eletrônicas para o controle de entrada e saída de veículos, videomonitoramento com câmeras fixas e móveis, funcionando em locais estratégicos, vigilantes nos pontos considerados mais perigosos tudo para aumentar a segurança.

Todavia, vale lembrar que a UFES continua e continuará fazendo fronteira com o manguezal. Todo e qualquer investimento para melhorar a segurança é positivo, mas no caso da UFES cabe também o patrulhamento da região externa ao Campus à Polícia Militar do Estado. Somadas as ações vão ter resultados imediatos na diminuição das ocorrências.

Com relação a São Luís a cidade encontra-se a altitude de quatro metros acima do nível do mar. Existem baixadas alagadas, praias extensas e dunas que formam a planície litorânea.

Vale destacar que as florestas de manguezais cobrem uma área de aproximadamente 180.000 quilômetros quadrados distribuídas em mais de 100. No Brasil existe cerca de 1,3 milhões de hectares de manguezais ao longo do litoral entre os estados do Amapá e Santa Catarina, com maior concentração (mais de 85%) na costa norte, composta pelos estados do Maranhão, Pará e Amapá. O Maranhão possui quase a metade dos manguezais do Brasil e a maior área contínua desse ecossistema no mundo, com uma cobertura de aproximadamente 500 mil hectares ao longo da costa de 670 km sob um regime de variações de marés que podem chegar a oito metros.

 

Regiões de Manguezais no mundo.

A hidrografia da capital é formada pelos rios Anil, Bacanga, Tibiri, Paciência, Maracanã, Calhau, Pimenta, Coqueiro, Cachorros e mais uma dezena de outros rios e riachos.

A fuga pelo mangue e o tráfico de drogas marcam a capital ao longo dos últimos anos. Vale mencionar a região da comunidade Vila Progresso.

O acompanhamento da violência e do crime nestas três capitais nos dois últimos anos mostra um aumento significativo de ocorrências nas áreas de difícil acesso das capitais: mangues, rios, matas e morros. Em Vitória 40% do seu território são cobertos por morros.

A tendência para as três capitais é o aumento progressivo das ocorrências nas áreas de difícil acesso, destacando o avanço do crime nos manguezais e morros devido à capacidade inerente que possuem: estão próximas aos grandes centros urbanos das capitais, são de difícil acesso para os meios e métodos disponíveis pelas Instituições de Segurança Pública, permitem facilidades no deslocamento entre diferentes regiões e facilitam o esconderijo e a fuga de criminosos. Tudo isto somando cria condições favoráveis para ações de grupos criminosos.

Vale ainda afirmar que a quantidade de resgate de vítimas que se aventuram nas áreas de mangue deverá aumentar consideravelmente.

Diante do avanço de diversas modalidades de ilícitos e da necessidade de atividades de busca e salvamento em manguezais nestas três capitais surge a necessidade de equipes táticas educadas e treinadas em técnicas e táticas avançadas para ações e operações policiais e militares em manguezais.

Desta forma, educação e treinamento associado com o uso correto de materiais, acessórios e equipamentos é o passo principal para que as Secretarias de Segurança Públicas Municipais de cada cidade comecem a criar ações que facilitem e estimulem o acesso, controle e a manutenção da Segurança Pública nas áreas de mangue que permeiam as regiões das três capitais aqui destacadas.

Assim sendo, de forma inédita e única em todo o mundo, mais uma vez o Brasil destaca a Educação em Segurança Pública criando o primeiro “Curso de Técnicas Policiais Especiais em Manguezais”.

O curso é uma proposta para combater o resultado negativo do estudo aqui publicado e demonstra o quanto estamos, seja por parte da pessoa física ou pela pessoa jurídica, empenhados para ajudar a Segurança Pública Nacional nos desafios atuais e que ainda estão por vir.

EMENTA:

A ementa do curso busca uma formação rápida e completa que torna apto o profissional a realizar ações e operações no ambiente de manguezal caracterizado em um ecossistema costeiro, de transição entre o ambiente terrestre e marinho, firmando-se como uma zona úmida.

Módulo 1
Definição de Manguezal


Registros Antigos; Definição; Cultura Popular.

Módulo 2
Características Principais


Principais Regiões de Mangue; Solo de Manguezal; Valorização e Problemas; Ocupações Urbanas Irregulares; Ocorrências Policiais; As Três Ilhas Capitais.

Módulo 3
Marés


Definição; Tábua das Marés, As Forças de Marés, Principais Características no Brasil.

Módulo 4
Técnicas Policiais Especiais em Manguezais – TPEM


Embarque e Desembarque; Descolamento; Movimentação Tática; Camuflagem de Mangal; Técnicas de Rastreamento; Atividades Noturnas; Extração de Suspeitos; Resgate de Reféns; Plataforma de Deslocamento; Acessórios e Equipamentos.

Módulo 5
TACTICAL MEDIC


Domínio das Articulações; Trabalho Operacional do Sistema de Resgate; Primeira Resposta em Local de Acidentes; Mobilização de Pacientes sem Equipamento; Imobilização e Transporte de Paciente com Equipamentos; Traumas Específicos e Imobilizações de Fraturas; Contenção de Sangramentos e os Tipos; Suporte Básico de Vida.

Módulo 6
Geomática


Definição; Ferramentas; Gestão das Informações Locais; Erros e Distorções Locais; Aplicabilidade e Documento Final; Posicionamento Tático em Campo.

PÚBLICO-ALVO: 

Operadores de Segurança Pública.

DURAÇÃO DO CURSO: 

O curso tem duração de quatro dias totalizando uma carga horária de 40 horas de educação e treinamento.

MAIS INFORMAÇÕES:

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