Torre de observação em favelas é igual a bater em cara de
leão
A Polícia Militar do Estado do Rio de
Janeiro anunciou, depois dos últimos dias de conflitos
contra os traficantes ocorrido no mês de julho, a
construção de uma torre de observação blindada localizada
dentro da favela.
Num valor estipulado em R$ 200 mil a
torre deve ser instalada na favela Vila do João. De acordo
com as autoridades “com a torre teremos o domínio de
grande parte do Complexo da Maré e, com certeza, amenizará
muito os conflitos entre policias e traficantes".
A idéia da torre surge devido à
elevada vantagem que os traficantes possuem por causa da
situação privilegiada que se encontram no topo das
construções mais elevadas de onde conseguem visualizar e
alvejar policiais e viaturas policiais durante as
incursões policiais.
A construção de torres de observação
pretende ser conduzida no Complexo da Maré, um dos maiores
e mais violentos do Rio de Janeiro que fica próximo ao
aeroporto internacional da cidade e está entre as duas
principais vias de acesso ao centro: Linha Vermelha e
Avenida Brasil.
Este tipo de equipamento, torres de
observação, sempre foi bem utilizado nos conflitos armados
e teve papel “negativamente” fundamental nos campos de
concentração nazistas no qual em curtos intervalos,
erguiam-se torres de observação, com sentinelas
permanentes, armados com metralhadoras e equipados com
poderosos holofotes. Podemos também citar a utilização das
302 torres de observação que compunham o mura da vergonha.
A utilização de torres de observação
tem o seu uso positivo reconhecido e tornam-se referências
quando são usadas como pontos de coleta de dados servindo
de apoio para outras formas de combate e controle e jamais
devem ser especificamente usadas como ponto elevado para
snipers policiais.
Intelectualmente é sabida que uma rede de torres de
observação é uma das formas mais eficazes na detecção de
ocorrências de qualquer natureza. Geralmente as torres são
instaladas em locais estratégicos que permitem uma boa
visualização da área ao redor, facilitando o descobrimento
de focos iniciais ou até mesmo avançados de qualquer tipo
de perturbação nas normas naturais estabelecidas.
Ainda sem
saber definitivamente como será a configuração de uma
destas torres, que deverão ser blindadas, a Polícia
pretende que sejam úteis para monitorarem movimentos
suspeitos de elementos isolados ou grupo de moradores que
costumam fechar vias expressas, avenidas e ruas da região.
A título de
informação, podemos dizer que em uma altura que varia de
10 a 40 metros, dependendo do local onde podem ser
implantadas, a torre poderia permitir uma distância visual
máxima, dependendo das condições locais, situa-se entre 8
e 15 km.
Em outras
palavras é um instrumento que empregado de maneira correta
atinge o objetivo de monitorar a paz e a ordem e
localizando com rapidez, dentro do seu entorno, o ou os
focos de desordem.
Entretanto, é
sabido o quanto a Policial Militar do Estado do Rio de
Janeiro se torna alvo de traficantes e bandidos fortemente
armados que costumam de forma covarde tocaiar policiais a
qualquer hora do dia ou da noite estando estes em trabalho
ou fora dele. Já até foi tema de discussão jornalística a
afirmação de “um policial é morto no país a cada dezessete
horas”.
Ainda
esclarecendo, as emboscadas realizadas contra policiais é
apenas mais uma estratégica dos traficantes de intimidar a
Lei e a Ordem. Mas, no trabalho também os policiais correm
risco de vida. Hoje, os equipamentos e as blindagens de
carros e viaturas policiais já não suportam o peso dos
calibres dos traficantes. Muitas vezes, tomamos
conhecimento pela televisão ou jornal impresso do
assassinato de policiais fora e em serviço por armas,
muitas vezes, nem utilizadas pela própria corporação do
Rio de Janeiro.
Ora, se até a
o “Pacificador” – carro blindado da polícia a disposição
do Batalhão da Maré, é alvo
de um único tiro de fuzil no pára-brisa e já sai
danificado, o que me diriam de sucessivos tiros no mesmo
alvo e no mesmo lugar?
Os estudos
mostram que um tiro é possível a blindagem de um
pára-brisa suportar, mas sucessivos disparos no mesmo alvo
e no mesmo lugar
não tem como.
Então, como
explicar a segurança de um alvo a vários metros de altura
no meio de uma favela, onde está a disposição 24 horas por
dia para ser alvejado a qualquer momento por qualquer tipo
de arma de fogo?
Concordo que a
discussão leva às idéias e que estas idéias formuladas de
forma concreta resultam em atividades e ações que podem e
devem ser usadas no dia a dia.
Embora aceite
a idéia dos postos de observações rejeito a opinião ou
ideal de que defende a utilização de snipers policiais
nestas torres. Não é intimidando os moradores que os
resultados positivos serão alcançados.
Hoje em dia a
tecnologia está à disposição de todos para nos
possibilitar um aumento da qualidade de vida e da
salvaguarda pessoal em algumas profissões. Devemos estar
atentos e acompanhando o desenvolvimento dos diversos
setores da sociedade para reconhecer e aproveitar
oportunidades que podem ser usadas no combate a violência
nacional.
Seguindo este
caminho e fazendo uma observação no conceito das torres de
observação, vale a pena analisarmos o maravilhoso trabalho
realizado pelo CET-RJ no que se refere à monitoração do
trânsito carioca. Temos ali um exemplo em prática do poder
da tecnologia e do homem a disposição para melhorarem a
qualidade de vida na cidade carioca.
Assim sendo,
acredito que a Polícia Militar poderia, se é que ainda não
o faz, utilizar câmeras para monitorar as comunidades e,
com base nos informes que devem ser coletados por estes
equipamentos tomar as medidas necessárias com utilização
eficiente e racional dos meios legais para manter a ordem
pública.
Espero que as
considerações sejam úteis e que o debate sobre o assunto
não se mantenha apenas nestas palavras escrito neste
editorial e muito menos numa ordem superior e formalizada
num edital de contratação de serviço para a construção
destes inverossímeis artefatos policiais.