Este
espaço é uma área de uso do TDA 3 para a publicação de
ajustes, correções e adaptações feitas e realizadas em
prol da melhoria e dos avanços na Qualidade e na
Excelência dos produtos e serviços colocados a
disposição pelo TDA 3.
Data: 25 de
março de 2010
Modifica-se
a ordem de uso nas palavras "Táticas e Técnicas".
Adota-se a partir de agora a junção: técnicas e táticas.
Essa alteração
é realizada com base no seguinte diagrama:

Na evolução dos
paradigmas teóricos da “recente” Educação em Segurança
Pública tem se avançado muito na produção do
Conhecimento em Segurança no Brasil e em paralelo começa-se
também a mensurar como isto tem mudado o comportamento
do ser humano como profissional envolvido com a
Segurança Pública e Privada Nacional. Diversas são as
Ciências Humanas que têm contribuído nesta busca de
incansável pelo correto Saber.
Diante desta Evolução, estamos constantemente
acompanhando as alterações que ocorrem em nosso Meio
para assim adequar nossa Educação a uma realidade
contemporânea e moderna alicerçada em pilares sólidos e
fortes para o século 21.
Isto tudo se pode dizer que começa a partir das obras
cognitivistas de MILLER, GALANTER e PRIBRAM (1973), e
NEISSER (1974) tem se procurando sair do
comportamentalismo e compreender, cada vez mais, o modo
como as pessoas percebem, aprendem, recordam e pensam,
sobre a Informação (STERNBERG, 2000).
A compreensão das estruturas e funções dos processos
cognitivos (ex: atenção, percepção, pensamento) têm sido
o desafio dos pesquisadores do comportamento humano em
nosso tempo. NEISSER (1974) postula que o Conhecimento
oferece a estrutura de sustentação dos processos
cognitivos.
Os estudos do Conhecimento têm sido realizados
geralmente em associação com pesquisas sobre memória,
sendo muitas vezes tratados como equivalentes (SQUIRE &
KANDELL, 2003). O Conhecimento e suas formas de
aquisição, as aprendizagens de novas informações
simbólicas, o formato, qual forma de organização que as
representações mentais assumem (EYSENCK & KEANE, 1994),
têm sido pesquisados de forma racionalista e empírica (MANDL,
FRIEDRICH & HRON, 1988).
Segundo MARINA (1995) o Conhecimento se origina nos
processos de percepção e de pensamento, conhecer é
sempre referir o novo ou desconhecido com o velho ou
conhecido; assim, oportuniza-se através do Conhecimento
a aquisição e compreensão dos processos psíquicos. Não
existe consenso teórico sobre o que é Conhecimento,
sendo considerado o resultado do Saber, uma informação
que “é representada mentalmente em um formato específico
e estruturado, organizado, de alguma forma” (EYSENCK &
KEANE, 1994).
Neste Universo do Saber, distinguem-se duas classes de
estruturas do Conhecimento:
a) Conhecimento Declarativo (CD) são os fatos que podem
ser declarados, sua organização tem a forma de séries de
fatos conectados e passiveis de descrição. Determina a
possibilidade de escolha, constituída de um corpo
organizado de informações factuais (Exemplo: falar qual
é a melhor decisão, entrar ou aguardar);
b) Conhecimento Processual (CP), fundamental em ações de
grande habilidade; procedimentos motores que podem ser
executados (Exemplo: recarregar a arma, atirar em
movimento). Inclui-se também nesta categoria a execução
da uma técnica, um gesto técnico que pode ser aplicado
em uma situação qualquer. A diferença entre ambas formas
de Conhecimento pode ser caracterizada conforme RYLE
(1949), citado por STERNBERG (2000), entre “saber o que
(CD)” e “saber como (CP)”.
Segundo STERNBERG (2000) o Conhecimento de procedimentos
envolve algum grau de habilidade que aumenta em
conseqüência da prática, até que o desempenho necessite
de pouca atenção consciente, isto é, através do processo
de ensino-aprendizagem, ocorra a automatização.
Segundo SQUIRE e KANDEL (2003) “todas as formas de
Conhecimento não declarativo são geralmente implícitas e
não são facilmente explicitadas relatadas verbalmente”.
A representação do Conhecimento não declarativo resulta
da experiência em executar um procedimento, uma ação. Em
todos esses processos o Conhecimento oferece o suporte
necessário à comparação, sendo que ambas as formas de
Conhecimento “CD e CP” interagem na procura das soluções
ambientais.
Na área do Treinamento Policial e Militar a formulação
dos construtos capacidade profissional, capacidades
táticas, comportamento tático, se relacionam
particularmente com a psicologia cognitiva, na
compreensão da complexa unidade cognição-ação. Na práxis
do treinamento policial e militar existe uma carência de
modelos teóricos que descrevam a ação policial e militar
e as interações com o Conhecimento (e seus processos
subjacentes) com a capacidade táctica-técnica. Faltam
também, modelos para
o ensino-aprendizagem, e métodos de diagnóstico e
prognóstico de discussão do rendimento.
É neste meio cheio de desafios que estamos atuantes e
atentos.
É por isto que estamos diretamente conscientes que nos
treinamentos policiais e militares em Segurança Pública
os problemas situacionais e das exigências
organizacionais das tarefas a serem realizadas,
apresenta-se uma alta exigência cognitiva nos
comportamentos dos alunos (GARGANTA, 2002). Os processos
decisionais são dinâmicos dentro de um marco
sócio-ambiental delimitado pelo contexto situacional
específico, único, dificilmente reproduzível, mas não
impossível, portanto, os comportamentos dos alunos
caracterizam-se como eminentemente táticos.
A dimensão tática se constitui a partir da configuração
mental do aluno de diferentes cenários, ele é um ser
decisor (GARGANTA, 2002).
Um dos primeiros modelos da ação tática, que apresenta
uma interação “cognição-ação” foi proposto por MAHLO
(1970). O autor descreve a ação tática em três fases
seqüenciais:
a) Percepção e análise da situação;
b) Solução mental do problema;
c) Resolução motora do mesmo.
O resultado da ação é comparado com os objetivos a serem
alcançados, processados na memória para estar disponível
em próximos eventos. TAVARES (1995) referenciado em
TEMPRADO e FAMOSE (1993) cita os modelos de
processamento da informação nos seus estádios de
percepção (vertente perceptiva de identificação do sinal),
decisão (seleção da resposta) e de operações de
programação motora (execução da ação). Estes modelos da
ação (tática), e seus processos cognitivos subjacentes,
apóiam-se nas teorias do processamento da informação,
com fases que se sucedem cronologicamente. GRÉHAIGNE e
GODBOUT (1995) citados por GARGANTA (2004) colocam que o
sistema de conhecimento que suporta a ação tática é
constituído pelas:
a) Regras de ação (orientações básicas acerca do
conhecimento da ação),
b) As regras de gestão e organização da ação (relacionadas
com a lógica interna da atividade) e finalmente,
c) Das capacidades motoras (abrangem a percepção e a
execução da ação motora).
SONNENSCHEIN (1987) com base nas teorias da ação (NITSCH,
1986) formulou um modelo teórico definindo os elementos
constitutivos da ação tática a partir da estrutura do
conhecimento (técnico–táctico), a qual se encontra em
interação com:
a) A capacidade de percepção - processo de recepção,
elaboração, controle e avaliação da informação, na
interação das capacidades de selecionar e codificar
informação, e
b) A capacidade de tomada de decisão - elaboração de
planos e chamada dos planos para executar a ação. Na
solução dos problemas, as três estruturas se inter-relacionam,
são pré-requisitos bem como sua resultante na expressão
do nível de Conhecimento técnico-tático que o Policial e
Militar dispõe.
Observando sob o prisma pedagógico a importância do
conhecimento para os processos de
ensino-aprendizagem-treinamento-tático-técnico (EAT3)
apresenta-se a seguir um ensaio teórico sobre a relação
entre Conhecimento e os diferentes processos cognitivos
que definem um comportamento tático, o mesmo pode ser
interpretado como um modelo da ação técnico-tática para
a Ciência em Segurança Pública Aplicada.
Com base nisto, o TDA 3 altera a ordem dos seus
processos, ou melhor, corrige de forma que fiquem melhor
ajustados em sua Educação em Segurança Pública.
No diagrama apresentado a estrutura de Conhecimento em
Segurança Pública, a TÉCNICA, indica que as informações
e as decisões ocorrem de forma continuada, simultânea,
durante a troca das informações entre as estruturas, que
se inter-relacionam, se apóiam e condicionam mutuamente.
Forma-se uma rede de conexões, com trocas de informações
que possibilitam ao indivíduo a partir do seu
conhecimento organizar os sinais, codificá-los,
relacionando o novo (situação) com o velho, semelhanças
X diferenças são consideradas, sendo a estrutura do
conhecimento tático-técnico (declarativo e processual) o
elo para as conexões. A estrutura perceptiva é
constituída pela tríade dos processos de
percepção-antecipação-atenção. A estrutura de
processamento da informação é constituída pela tríade
dos processos memória-pensamento-inteligência. Estas
duas estruturas relacionam-se e interagem com a função
primária de codificar e dar significado a informação, e
paralelamente formatar o processo de tomada de decisão
tática (terceira estrutura).
Quando se decide perceber - ou não - um sinal, através
dos processos do pensamento já está se tomando uma
decisão...
Isto é, na colaboração paralela dessas três estruturas
formata-se “o que fazer” (CD), o “como fazer” (CP). Será
assim concretizada a execução do gesto técnico
necessário à solução do problema situacional.
O comportamento tático se visualiza externamente a
partir da execução técnica, isto é do conhecimento
processual, automatizado, internalizado na memória.
Concretiza-se assim uma ação tática inteligente.
Vale neste momento dizer que a Inteligência é um
conceito com diversas definições.
Caracteriza-se por oferecer a orientação do sujeito em
situações novas, apoiado no seu conhecimento e na sua
compreensão. “É a capacidade de aprender a partir da
experiência e adaptar-se ao ambiente circundante”
(STERNBERG, 2000). Exige a adaptação do que se pensa as
novas solicitações ambientais que o cenário apresenta.
Ou seja, a ação tática realizada cumpre com os
pré-requisitos implícitos na tríade
analítica-operatória-criativa para ser denominada
inteligente conforme postula STERNBERG, (2000).
O resultado da ação apresenta os pré-requisitos da
tríade originalidade-flexibilidade-adequação apresentada
por GUILFORD (1950) para ser considerada criativa.
A ação pode ser inteligente mais não criativa. Já toda
ação criativa é inteligente.
No final o que surge é a pura
TÁTICA.
Espera-se assim
que deste momento em diante seja utilizado os termos
Técnicas e Táticas nesta ordem respeitando os
esclarecimentos acima registrados.