Estresse diário contribui
para a obesidade
17 de junho
de 2007
Breno Costa www.jb.com.br
A obesidade que atinge 19,5% dos policiais
militares do Rio, segundo a pesquisa da Fiocruz,
é derivada não só da má alimentação e do
sedentarismo, mas também do estresse diário
característico da profissão policial. Quem
garante é a nutricionista e professora de
educação física Andréia Naves, diretora da VP
Consultoria Nutricional. Segundo Andréa, o
estresse gera produção em excesso de um hormônio
chamado cortisol, que contribui - e muito - para
o aumento de peso, o que leva os policiais com
esse tipo de problema a estarem sempre sujeitos
a riscos de enfarte durante o serviço.
- A obesidade pode desenvolver doenças como
diabetes, hipertensão e aumento do colesterol.
Todas essas doenças são silenciosas. Como não
dói, a pessoa não sabe que tem - diz a
nutricionista, que sugere que os policiais, além
de levarem frutas e sanduíches integrais para as
viaturas, dediquem mais tempo a caminhadas e até
a aulas de terapia corporal, como sessões de
ioga. O fundamental, segundo ela, é que, durante
as folgas, os policiais descartem atividades
estressantes, como os "bicos" na área de
segurança privada.
Segundo o tenente Melquisedec Nascimento,
presidente da Associação de Militares Auxiliares
e Especialistas (Amae), os policiais, que no
dia-a-dia contam com quentinhas preparadas por
nutricionistas, são submetidos a testes de
aptidão médica e física de seis em seis meses.
Se um PM for considerado inapto nesses exames,
tem de sair da ativa. No entanto, a pesquisa
feita pelo Centro Latino-Americano de Estudos de
Violência e Saúde, da Fiocruz, entrevistou
apenas PMs em atividade. A Polícia Militar não
quis se pronunciar sobre a pesquisa e suas
revelações.
Na porta de entrada da PM, ou seja, os
concursos públicos, a exigência em relação ao
peso do policial não é muito rigorosa. O único
pré-requisito é que o candidato do sexo
masculino tenha pelo menos 1,68m de altura e
"peso proporcional à sua altura", sem maiores
explicações acerca dos critérios que definem a
proporção aceitável para ingresso na PM. Durante
o curso preparatório, tanto para os oficiais
quanto para os praças (cabo, soldado e
sargento), os exercícios físicos são constantes
nas academias de polícia. O problema começa
depois, quando eles vão para as ruas e favelas
da cidade.
Fabrizzio Dal Piero é diretor e instrutor da
empresa Treinamento Dinâmico Avançado de
Progressão Policial (TDA-3), que promove cursos
e treinamentos para policiais de todo o Brasil,
envolvidos em situações de combate urbano. Dal
Piero afirma que o excesso de peso interfere
diretamente nas ações policiais.
- Na verdade o policial obeso não está mais a
salvo dentro dos batalhões. Muitos governos
estaduais estão com a política de usar todo o
efetivo no combate a violência, ou seja, toda a
tropa na rua - diz Fabrizzio.
Outro instrutor do grupo, Marcus Vinícius,
diz que, no caso da obesidade, o problema afeta
até a segurança básica dos policiais.
- O excesso de peso às vezes inviabiliza até
o uso de coletes balísticos, coldres e
fardamentos. Na maioria dos casos, o excesso de
peso prejudica a absorção de técnicas,
diminuindo com isso a sua auto-confiança e
fazendo com que o mesmo abuse de sua força, bem
como da sua autoridade - afirma o instrutor.
Dal Piero destaca a necessidade do bom
condicionamento físico do policial, ainda que
para missões aparentemente simples. Segundo o
instrutor, é comum ver até nas Forças Armadas
pessoas com dificuldade de passar em algumas
provas, devido à condição do que ele diz ser o
principal equipamento de um policial: o corpo.
- Seja pulando um muro, saindo rapidamente de
uma viatura, entrando em uma casa para efetuar
um resgate de refém, ou mesmo atirando, é
necessário ter um bom preparo físico - explica
Fabrizzio.