Balança, outro inimigo da PM
17 de junho
de 2007
Breno Costa www.jb.com.br
A Polícia Militar do Rio tem algo a mais para
se preocupar além do risco de um policial ser
baleado em confronto com bandidos nas incursões em
favelas. Uma pesquisa realizada pela Fundação
Oswaldo Cruz (Fiocruz), a pedido da Secretaria
Nacional de Segurança Pública (Senasp), mostra que
dois em cada três PMs que atuam dentro e fora dos
batalhões da cidade estão acima do peso ideal,
propensos a doenças ligadas à hipertensão e ao
coração. O levantamento também revela que um em
cada cinco policiais são tecnicamente obesos.
A situação da saúde dos policiais militares
cariocas, segundo a pesquisa - que ouviu, no ano
passado, 1.108 policiais militares de diferentes
escalões - é pior que a média da população
brasileira. As pesquisadoras do Centro Latino
Americano de Estudos de Violência e Saúde (Claves)
Maria Cecília Minayo e Edinilsa Ramos,
coordenadoras do levantamento, citam dados da
Pesquisa Nacional sobre Saúde e Nutrição, feita
pelo Ministério da Saúde, que encontrou 32% da
população adulta brasileira com excesso de massa
corporal. O índice na Polícia Militar do Rio é de
67%, somando os sobrepesos simples e os obesos. A
pesquisa não faz comparações com as polícias de
outros Estados.
O relatório mostra, também, que 26,1% dos
policiais militares entrevistados disseram que já
foram alertados por médicos de que têm alto nível
de colesterol. Para agravar ainda mais o quadro,
um em cada quatro policiais militares dizem não
praticar exercícios físicos. Apenas 13% dizem que
se exercitam quatro ou mais vezes por semana.
Dos mais de mil policiais que preencheram os
questionários da pesquisa, que será transformada
em livro a ser editado no segundo semestre e
entregue à Polícia Militar, 63% eram cabos ou
soldados. Apenas 8,8% eram oficiais, ou seja,
patentes de tenente para cima - o que contraria a
tese de que apenas a cúpula da Polícia Militar é
gordinha, como é o caso do comandante-geral da PM,
coronel Ubiratan Ângelo, e do comandante do 16º BPM (Olaria), tenente-coronel Marcus Jardim,
envolvido diretamente nos conflitos do Complexo do
Alemão.
- São índices preocupantes. Esses policiais que
estão na linha de frente de combate à
criminalidade deveriam ter uma condição física
mais adequada - diz Edinilsa Ramos. - Mas a
pesquisa também revela outras coisas preocupantes.
Tem uma parcela considerável que não tira férias
há dois, três anos.
A Polícia Militar, através de seu setor de
relações públicas, disse que não teve acesso à
pesquisa e que, portanto, não poderia se
pronunciar a respeito dos índices levantados no
estudo da Fiocruz. A Associação dos Militares
Auxiliares e Especialistas (Amae) , contudo, dizem
que os dados revelados pela pesquisa são reflexo
da baixa remuneração dos PMs cariocas.
- Isso acontece devido à falta de salário. O
policial em vez de, na folga, fazer uma academia,
treinar, tem de fazer trabalhos extras, como de
segurança. O policial tem toda a liberdade para
usar as estruturas dos batalhões para se exercitar
durante a folga - diz o presidente da Amae,
tenente Melquisedec Nascimento.
A pesquisa mostra que quase 40% dos PMs saem do
serviço direto para outros trabalhos, sem
descanso.